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40% dos brasileiros aceitam delegar decisões de compras à inteligência artificial
30 de dezembro de 2025 / 08:46
Foto: Divulgação

O cenário do varejo global está prestes a sofrer a mudança mais significativa desde a popularização do e-commerce, com o Brasil ocupando posição de destaque nessa transformação. Um estudo inovador da Worldpay, chamado “Agentic IA Report”, mostrou que 40% dos consumidores brasileiros já aceitam delegar todo o processo de compra, desde a seleção até o pagamento, para agentes de Inteligência Artificial. Essa tendência inaugura o conceito de “Comércio Agêntico”, no qual a tecnologia deixa de ser somente uma assistente para se tornar uma decisora autônoma.

A pesquisa analisou o comportamento de 8.000 consumidores em sete países, colocando o Brasil como um ambiente promissor para essa nova etapa do comércio digital. Diferente de mercados mais tradicionais, os brasileiros demonstram uma postura pragmática, buscando não apenas a inovação em si, mas também eficiência e otimização financeira. Para 71% dos participantes, a relação custo-benefício é o principal motivo para aceitar a tecnologia, seguida pela expectativa de preços mais baixos e maior conveniência logística.

A adoção dessa tecnologia segue uma progressão lógica baseada na minimização de riscos. Inicialmente, os agentes de IA irão manejar transações frequentes com baixo valor, como recarga de transporte público, pagamento de contas essenciais e reposição de produtos em supermercados. É nesse ambiente de rotina funcional que a confiança será solidificada, permitindo, no futuro, a expansão para setores com maior valor agregado, como turismo, produtos de luxo e gerenciamento de investimentos financeiros.

Um aspecto que torna o Brasil único nesse cenário global é a liderança feminina na adoção tecnológica. Enquanto em outros países os homens lideram a inovação, no Brasil as mulheres apresentam maior aceitação à IA agêntica, com 46% contra 35% dos homens. Para executivos do varejo, esse dado é estratégico, indicando que as soluções de inteligência artificial devem ser desenvolvidas considerando a diversidade e as especificidades da jornada de compra feminina, que detém grande influência no consumo doméstico.

Embora exista entusiasmo com o avanço da tecnologia, a segurança ainda é uma questão fundamental. A preocupação com compras não autorizadas e fraudes afeta 95% dos brasileiros, o que obriga os fornecedores a implementarem mecanismos rigorosos de controle. Para 64% dos consumidores, a proteção contra fraudes é essencial, e a possibilidade de cancelar transações em até 24 horas é o principal fator que gera confiança. Diferentemente da China, onde o consumidor aceita uma operação mais silenciosa da IA, o brasileiro demanda transparência e suporte humano disponível em tempo real.

O Comércio Agêntico já não é uma projeção futura, mas uma realidade em fase experimental que promete redefinir o retorno sobre investimento no varejo digital. As empresas que conseguirem equilibrar a autonomia da IA com a soberania do consumidor estarão à frente na captura de valor desta nova era. O objetivo é claro: tornar a jornada de compra invisível, segura e altamente rentável para todos os envolvidos.

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