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A arte de controlar as emoções diante do estado de espírito alheio
11 de janeiro de 2026 / 18:03
Foto: Divulgação

Sydney J. Harris (1917-1986), renomado jornalista nascido em Londres e radicado em Chicago, ficou conhecido graças à sua coluna Strickly Personal, publicada em mais de 200 jornais. Nela, ele abordava temas relacionados à sociedade, educação e comportamento humano. Em um de seus textos, contou uma situação em que seu amigo, ao comprar um jornal, recebeu um atendimento rude do jornaleiro. Mesmo assim, ao receber o jornal lançado à distância, sorriu e desejou um bom fim de semana ao atendente.

Intrigado, Harris perguntou se essa grosseria era habitual, e o amigo confirmou. Quando questionado sobre sua postura amável diante da falta de educação, explicou que não permitia que o mau humor do jornaleiro interferisse em sua atitude. Essa narrativa ilustra a ideia de que a verdadeira liberdade está na capacidade de não se deixar afetar pelas emoções negativas de outros. Reagir a essas atitudes seria abdicar do controle sobre a própria vida e sentimentos.

A tendência natural das pessoas é imitar o estado emocional dos que as rodeiam, sorrindo quando recebem um sorriso e endurecendo diante de agressões. Contudo, essa reação pode se tornar uma armadilha psicológica, aprisionando alguém nas oscilações emocionais alheias. No exemplo citado, o amigo que respondeu com gentileza mesmo diante da agressividade demonstrava maturidade emocional, não se deixando contaminar pelo ambiente ao seu redor. Harris defendia que o mundo funciona como um espelho, refletindo para cada indivíduo seus próprios pensamentos.

Segundo esse pensamento, quem cultiva sentimentos negativos, como a fúria, acaba encontrando rancor, enquanto quem mantém a serenidade presencia a calmaria. Optar pela amabilidade diante da hostilidade cria um ambiente protetor contra o desgaste causado pelo ressentimento. O controle emocional é fundamental para resistir à tirania dos estados de espírito dos outros. Harris enfatizava que devemos ser “atores”, que decidem conscientemente suas ações, e não “reatores”, que agem impulsivamente. Essa distinção é essencial para preservar a saúde mental e promover uma convivência social mais equilibrada.

Essa filosofia requer disciplina emocional: não significa negar sentimentos como a dor ou a irritação, mas sim não permitir que eles dominem nossas atitudes. Harris via a vida como um palco onde cada pessoa deve ser protagonista, definindo o rumo de sua própria história mesmo em cenários adversos. Essa postura garante não apenas a integridade pessoal, mas também transforma os ambientes, propagando serenidade e respeito. A liberdade está em poder escolher nossas reações, evitando a submissão às circunstâncias externas.

Essa reflexão convida a uma mudança profunda: sermos verdadeiramente donos de nossas ações, sem deixar que o humor de pessoas como o jornaleiro, vizinho ou colega de trabalho determine nosso comportamento. Ao recusar respostas automáticas e cultivar uma ação consciente, tornamo-nos agentes de transformação. A forma como encaramos a vida faz toda a diferença, e é fundamental manter o controle emocional mesmo diante de situações negativas. Em um mundo que pode ser rude, nossa reação deve ser nobre — e é nessa nobreza que reside a liberdade plena.

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