
O livro “A Cabeça do Santo”, da escritora cearense Socorro Acioli, foi o título mais buscado nos primeiros dias do MEC Livros, a biblioteca digital do Governo Federal lançada em 5 de junho. A plataforma teve grande adesão no Ceará, que se tornou o estado do Nordeste com maior número de acessos e o quarto no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na última semana, a obra ganhou visibilidade nacional ao ser escolhida como tema do samba-enredo da Unidos da Tijuca para o carnaval de 2027.
Em sua primeira semana no ar, o MEC Livros registrou 291,6 mil usuários em todo o país e mais de 122 mil empréstimos ativos. A biblioteca digital oferece gratuitamente quase 8 mil livros para aluguel, sendo que o Ceará contribuiu com 3.259 leitores e 1.887 empréstimos. Avaliado como um sucesso, o livro de Socorro Acioli foi criado durante uma oficina comandada por Gabriel García Márquez, vencedor do Nobel de Literatura em 1982. A narrativa acompanha a história de um jovem no interior cearense que adquire o dom de ouvir preces dirigidas a Santo Antônio.
Inspirado em fatos reais, o enredo faz menção a Caridade, cidade do Ceará onde, por quase quatro décadas, uma estátua de Santo Antônio permaneceu sem cabeça, simbolizando uma obra inacabada. Contudo, no fim do ano passado, a cabeça foi instalada no monumento de 19 metros de altura. O número de acessos ao título foi tão expressivo que chegou a causar indisponibilidade temporária na plataforma, provocando reclamações. Posteriormente, o livro voltou a ficar disponível para empréstimos.
Entre os leitores, o universitário Hikellmy Oliveira, de 22 anos e residente de Horizonte (Grande Fortaleza), destacou-se. Ele buscou o livro assim que soube do lançamento do MEC Livros e conseguiu alugá-lo rapidamente. Ao lê-lo, comentou que a obra prende a atenção do início ao fim e ressaltou a importância de valorizar autores locais, citando que o livro traz referências a cidades do Ceará, como Juazeiro do Norte, onde já esteve com a avó.
Hikellmy também elogiou a plataforma, ressaltando sua importância para a democratização do acesso à leitura, principalmente porque nem todos têm condições de adquirir livros físicos. Além disso, destacou a praticidade do formato digital, que permite ler o conteúdo pelo celular durante intervalos do dia. Contudo, apontou uma limitação: a impossibilidade de devolver o livro antes do prazo de 14 dias, o que dificulta o acesso a novas obras após uma leitura rápida. O MEC Livros demonstra ser um importante recurso cultural para leitores cearenses e brasileiros, aproximando obras relevantes ao público de forma simples e gratuita.