
O ritmo contagiante da pisada e o som inconfundível do tarol e do pandeiro vão ditar o ritmo da capital alagoana neste fim de semana. Na noite deste domingo (24), Maceió transforma-se no epicentro da salvaguarda de uma das maiores riquezas do folclore regional com a realização da segunda edição do Pré-junino de Coco de Roda. O encontro de celebração e identidade cultural terá como palco o Ginásio do Colégio Sacramento, localizado no tradicional bairro do Farol, com os portões abertos para o público a partir das 18h.
A iniciativa funciona como um termômetro oficial e uma prévia luxuosa para os festivais de quadrilhas e folguedos que tomam conta do estado ao longo de todo o mês de junho. Mais do que uma mostra competitiva, o festival atua no prumo do fortalecimento da economia criativa local e na transferência de saberes ancestrais entre as novas gerações de brincantes das comunidades maceioenses.
Maratona cultural reúne os principais nomes da dança alagoana
Para dar conta da grandiosidade do evento, a comissão organizadora estruturou uma logística de apresentações dinâmicas. Ao todo, a quadra do ginásio receberá a energia e o virtuosismo de 15 grupos de elite dedicados à preservação e ao redesenho estético do coco de roda. Cada agremiação levará ao tablado figurinos inéditos e temáticas que fundem a herança quilombola e indígena à alegria rústica dos festejos do interior.
O painel de exibições da noite reúne uma constelação de grupos tradicionais e promessas de títulos no circuito estadual:
- Eixo de Tradição e Peso: Mandacaru, Tentação, Evolução, Babaçu, Catolé, Flor de Mandacaru e Sensashow;
- Clássicos de Comunidade: Renascer, Pau de Arara, Reis do Cangaço, Paixão Nordestina e Los Coquitos;
- Fechamento de Canto: Pisa na Fulô, Reviver e Xique Xique.
A riqueza e a cadência do Coco de Roda no cenário junino
Diferente do ritmo acelerado do forró estilizado, o coco de roda preserva a cadência da música baseada no bater dos pés (a pisada) e no som do tamanco de madeira, elementos herdados dos trabalhadores que cantavam e dançavam para quebrar e descascar o coco nas fazendas do passado. A instrumentação rústica, ancorada em cordas e percussão de peso, cria um transe sonoro que arrasta o espectador e envolve a plateia em uma experiência de imersão sensorial.
A realização do 2º Pré-junino no bairro do Farol consolida a importância de abrir as portas de espaços institucionais e educacionais para a cultura de base. Ao converter o ginásio escolar em um território de resistência e celebração popular, Maceió valoriza os seus artistas locais, atrai o turismo cultural e emite uma mensagem clara: as tradições alagoanas seguem fortes, pulsantes e prontas para colorir o São João com a força do sapateado e a alegria do povo do Nordeste.
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