
A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, marcada para o próximo sábado, pode representar um perigo para a indústria de transformação brasileira se o país não avançar na redução de fatores que limitam sua competitividade no mercado internacional. Esta é a avaliação do presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso.
Segundo Velloso, a maior entrada de produtos europeus no mercado brasileiro deve trazer benefícios para o consumidor final, que poderá ter acesso a preços mais baixos, e também para o agronegócio, setor que já possui alta competitividade perante o mercado internacional. Contudo, a indústria de transformação poderá enfrentar maiores dificuldades devido à concorrência externa ampliada.
O setor industrial no Brasil convive com custos elevados, devido a uma carga tributária alta, juros altos e dificuldades no ambiente de negócios. O presidente da Abimaq acredita que, sem avanços nessas questões e sem a melhora do cenário macroeconômico, o acordo pode intensificar as desigualdades de competitividade em comparação com as empresas europeias.
Por outro lado, Velloso destaca que se o país sanar essas deficiências estruturais, a abertura do mercado poderá se tornar uma oportunidade positiva. Nesse contexto, vários segmentos da economia nacional teriam condições mais favoráveis para acessar o mercado europeu e competir de maneira mais equilibrada, beneficiando a indústria de transformação como um todo.