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Acesso ao diagnóstico e terapias para autismo no Brasil é limitado, aponta pesquisa
9 de abril de 2026 / 19:32
Foto: Divulgação

O Mapa Autismo Brasil (MAB), o primeiro levantamento nacional que traça o perfil sociodemográfico das pessoas autistas, revelou nesta quinta-feira (9) que o acesso ao diagnóstico e às terapias para autismo permanece restrito em todo o país. O estudo, realizado pelo Instituto Autismos, ouviu 23.632 pessoas entre 29 de março e 20 de julho de 2025, incluindo autistas e seus cuidadores de todos os estados brasileiros, para entender o perfil do autista brasileiro e a oferta dos serviços disponíveis.

Entre os entrevistados, 16.807 eram responsáveis por pessoas autistas, 4.604 eram adultos autistas e 2.221 se identificaram tanto como autistas quanto como responsáveis. Os resultados apontam que apesar de cerca de 25% da população brasileira ter planos de saúde, apenas 20,4% do diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi confirmado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, somente 15,5% dos participantes informaram realizar terapias pela rede pública, enquanto mais de 60% recorrem a planos de saúde ou pagam particular para terem acesso aos tratamentos.

O Instituto Autismos destacou que 56,5% dos entrevistados realizam até duas horas semanais de terapia, um número bem abaixo do recomendado internacionalmente, que indica terapias multidisciplinares com carga horária elevada. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Censo Demográfico 2022 indicam que 2,4 milhões de pessoas no Brasil têm TEA, correspondendo a 1,2% da população, mas o MAB acrescenta informações socioeconômicas e sobre o acesso a serviços, gerando uma análise mais completa sobre o tema.

O perfil do autista brasileiro indica que a maioria é branca (60,8%), predominantemente do sexo masculino (65,3%), com 72,1% na faixa de até 17 anos. Em termos socioeconômicos, 28,6% têm renda familiar até R$ 2.862 e 53,7% são classificados no nível 1 de suporte, o mais baixo. Muitas pessoas autistas têm comorbidades, como TDAH (51,5%) e transtornos de ansiedade (41,1%). A comunicação varia entre frases completas (55,5%) e o uso de comunicação aumentativa e alternativa, evidenciando a diversidade das necessidades.

Entre os cuidadores, 96% são pais, sendo que 92,4% são mães, com mais da metade deles tendo ensino superior ou pós-graduação. Contudo, 30,47% estão desempregados ou sem renda, sugerindo o impacto das demandas de cuidado na vida profissional e econômica dessas famílias.

O estudo também mostra que o diagnóstico de TEA geralmente ocorre precocemente, com 51,7% confirmados até os 4 anos, mas a média de idade é 11 anos, indicando que muitos ainda são diagnosticados tardiamente. Famílias e as próprias pessoas autistas frequentemente notam os primeiros sinais, enquanto médicos e professores raramente alertam sobre eles. Neurologistas são os principais responsáveis pelo diagnóstico (67%), seguido por psiquiatras.

No que se refere às terapias, as mais comuns incluem psicoterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicopedagogia e terapia ABA. No entanto, 16,4% dos entrevistados relataram não realizar nenhum tipo de terapia. O acesso aos tratamentos pela rede pública é menor que pela rede privada, com usuários do SUS enfrentando menos sessões de terapias essenciais. A carga horária semanal informada é baixa, principalmente uma a duas horas, demonstrando limitações no acesso e disponibilidade de serviços.

Sobre a escolarização, 83,7% frequentam instituições de ensino, principalmente públicas, porém 39,9% não recebem nenhum tipo de apoio para inclusão. Entre os adultos autistas, 29,9% estão desempregados ou sem renda, apontando para desafios na inclusão social e profissional. Entre os empregados, a maioria está em empregos formais, principalmente como servidores públicos.

Esses dados do Mapa Autismo Brasil evidenciam a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico e às terapias para autismo no Brasil, assim como o fortalecimento das políticas públicas para promover a inclusão social adequada dessas pessoas.

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