
A conclusão da Adutora do Seridó, considerada uma das principais obras de segurança hídrica do interior potiguar, deverá ocorrer somente em 2027, segundo previsão do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Antes disso, porém, o chamado Trecho Norte deve começar a operar ainda no segundo semestre deste ano, garantindo abastecimento inicial para municípios estratégicos do Seridó, como:
- Currais Novos;
- Acari;
- Cruzeta.
Os prazos foram confirmados pelo ministro Waldez Góes durante agenda no Nordeste voltada ao acompanhamento das obras do programa “Caminho das Águas”, que inclui intervenções no Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará.
Com investimento estimado em R$ 326,5 milhões, a obra foi iniciada em 2022 e atualmente apresenta cerca de 51% de execução física.
Obra busca enfrentar insegurança hídrica histórica no Seridó
O sistema da Adutora do Seridó terá aproximadamente 330 quilômetros de extensão, incluindo:
- adutoras;
- estações elevatórias;
- estruturas de tratamento de água.
A captação ocorre na Barragem de Oiticica e segue por municípios como Florânia e São Vicente até chegar a Currais Novos, onde haverá integração com sistemas já existentes que também atendem Acari e Cruzeta.
Segundo o superintendente da Codevasf no Rio Grande do Norte, Leon Aguiar, o objetivo da obra é mudar estruturalmente o cenário hídrico da região.
“Com tudo pronto, no próximo ano, teremos o fim da falta de água na região, já que toda uma estrutura foi pensada para acabar com esse cenário”, afirmou.
A engenharia hídrica da obra é vista como estratégica para reduzir os impactos das estiagens históricas registradas no Seridó, especialmente entre outubro e dezembro.
Trechos seguem sem licitação e cronograma foi readequado
Apesar do avanço, parte importante do projeto ainda enfrenta desafios técnicos e financeiros.
O trecho conhecido como 3N, responsável por atender cidades da Serra de Santana, como:
- Lagoa Nova;
- Cerro Corá;
- Bodó;
ainda não foi licitado.
Segundo a Codevasf, o segmento depende de novos recursos federais e deverá entrar em futuras etapas do Novo PAC, juntamente com o chamado Trecho Sul, que atenderá municípios da região de Caicó.
A previsão é que os testes operacionais do Trecho Norte comecem em agosto, abrangendo toda a linha de captação e bombeamento da água.
O cronograma original previa entrega em março deste ano, mas a obra sofreu readequações após problemas de deflação contratual identificados durante a execução.
Enquanto isso, o cenário hídrico no Seridó segue em alerta.
De acordo com o Igarn, dez reservatórios do estado permanecem em situação crítica, com menos de 10% da capacidade.
Entre os casos mais preocupantes estão:
- Açude Itans, em Caicó: 0,74%
- Passagem das Traíras, em São José do Seridó: 0,14%
A chegada definitiva das águas da transposição é vista como um divisor estratégico para a estabilidade hídrica do interior potiguar.
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