
O agricultor Sidrônio Moreira, residente em Tabuleiro do Norte, no sertão do Ceará, perfurou o solo em seu sítio duas vezes com o objetivo de encontrar água para uso doméstico e criação de animais. No entanto, em ambas as tentativas, feitas em novembro de 2024, os resultados foram inesperados: em vez de água, Sidrônio encontrou um líquido viscoso, preto e cheiroso, semelhante ao petróleo, que suspendeu a continuidade da busca por água na propriedade. A substância foi coletada e está sob investigação pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Testes laboratoriais iniciais indicam que o material apresenta características físico-químicas muito similares às do petróleo extraído na Bacia Potiguar, região próxima que abrange parte do Rio Grande do Norte e do Ceará. Entretanto, a confirmação oficial ainda depende da análise de um laboratório credenciado pela ANP.
A primeira tentativa de perfuração foi a 40 metros de profundidade, mas em vez de água, Sidrônio encontrou material oleoso. Decidido a buscar água, ele realizou uma segunda perfuração, cerca de 50 metros distante da primeira, que também resultou na presença do mesmo líquido preto. Diante disso, os poços foram fechados e a família passou a comprar água de carro-pipa devido à escassez na região. A procura do líquido pela família levou o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) a analisar o material e encaminhá-lo para análise na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), confirmando a similaridade da substância com o petróleo da região.
A localidade onde foi encontrada a substância fica em Sítio Santo Estevão, próximo da divisa com o Rio Grande do Norte, na zona rural de Tabuleiro do Norte, e distante cerca de 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo da Bacia Potiguar. A agência reguladora, após ser comunicada da descoberta em julho de 2025, iniciou procedimento administrativo para apurar o caso e informou que entrará em contato com órgãos ambientais para possíveis providências, mas não detalhou quais medidas serão adotadas. A família ainda aguarda orientações oficiais, especialmente quanto aos riscos ambientais, como possível contaminação do lençol freático, já que o material pode afetar o abastecimento local.
A descoberta, embora surpreendente, não garante viabilidade econômica imediata para exploração. Sidrônio e sua família esperam que o caso possa gerar uma fonte alternativa de renda para solucionar a falta de água e ajudar na subsistência local. Enquanto isso, o problema da escassez hídrica persiste, e o céu para o agricultor depende da análise definitiva da ANP. O caso chama atenção para as complexidades da exploração de recursos naturais em regiões rurais e a importância de um manejo responsável e regulamentado.