
O agricultor Sidrônio Moreira, morador de Tabuleiro do Norte, fez uma descoberta inesperada ao tentar perfurar poços em seu sítio em busca de água — um recurso escasso na região. Em vez disso, encontrou um líquido escuro, denso, viscoso e com odor semelhante ao de combustível, levantando a suspeita de que possa se tratar de petróleo.
A descoberta ocorreu em novembro de 2024, mas somente em 2025 equipes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis realizaram uma vistoria no local para iniciar as investigações. Até o momento, o agricultor e sua família aguardam um laudo técnico definitivo que irá identificar a composição do material encontrado.
Durante uma visita realizada em 12 de março, técnicos da ANP, juntamente com a Superintendência Estadual do Meio Ambiente, avaliaram a situação e orientaram que os poços sejam isolados imediatamente. A recomendação é evitar qualquer contato com a substância, devido aos riscos potenciais à saúde humana e ao meio ambiente, incluindo toxicidade e possibilidade de inflamabilidade.
Outro ponto de preocupação levantado pelos órgãos ambientais é a chance de contaminação ambiental, especialmente em períodos chuvosos. Nessas condições, o líquido pode escorrer e atingir corpos d’água próximos, ampliando os riscos ecológicos.
A ANP esclareceu ainda que, mesmo que o material seja confirmado como petróleo, sua exploração não poderá ser feita diretamente pelo proprietário da terra. No Brasil, os recursos do subsolo pertencem à União, o que significa que qualquer atividade de extração depende de contratos com empresas especializadas e autorização federal. No entanto, o dono do terreno pode receber compensação financeira, que pode chegar a até 1% do valor da produção, dependendo de fatores como volume e viabilidade econômica da jazida.
Especialistas também destacaram que a descoberta é incomum, principalmente por ter ocorrido a apenas cerca de 40 metros de profundidade — uma condição rara para a ocorrência natural de petróleo. O sítio está localizado próximo à borda da Bacia Potiguar, uma região conhecida por abrigar importantes campos petrolíferos, o que aumenta o interesse técnico sobre o caso.
Apesar da expectativa, ainda não há prazo para a conclusão das análises laboratoriais. Até que haja confirmação oficial, as autoridades reforçam que o local não deve ser visitado por curiosos, nem manipulado, justamente para evitar acidentes e possíveis danos ambientais.
A continuidade dos estudos será essencial para determinar se o material possui valor econômico e quais medidas deverão ser adotadas no futuro.