João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
Agricultura familiar em Pernambuco movimenta R$ 1,18 bilhão via crédito do BNB
4 de fevereiro de 2026 / 14:22
Foto: Divulgação

Em 2025, o crédito rural em Pernambuco alcançou um marco histórico ao registrar R$ 1,18 bilhão em desembolsos por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O resultado reforça o papel estratégico da agricultura familiar como um dos pilares da economia estadual, especialmente no interior, onde a atividade agrícola de pequena escala é decisiva para a geração de renda, emprego e segurança alimentar. O desempenho positivo é evidenciado pelo crescimento de 3,6% no volume financeiro liberado e pela expansão de 5,4% no número de contratos, demonstrando que a demanda por crédito para custeio e investimento segue aquecida, mesmo diante das oscilações climáticas, das variações de safra e das incertezas do mercado.

O Banco do Nordeste (BNB) consolidou-se como o principal agente financeiro desse fluxo de recursos, respondendo por R$ 1,03 bilhão do total contratado em Pernambuco por meio do Agroamigo, seu programa de microfinanças rurais. Com quase 90 mil operações realizadas no estado, o banco atua de forma decisiva não apenas no financiamento da produção agrícola, mas também no fortalecimento do consumo interno, na geração de renda local e na promoção da segurança alimentar, especialmente em municípios onde a agricultura familiar representa parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB).

No cenário regional, os números também são expressivos. Em 2025, o BNB ultrapassou a marca de R$ 10,7 bilhões em contratações totais, registrando um crescimento de 12,4% em relação ao ciclo anterior. Esse avanço é resultado de uma estratégia consistente adotada ao longo dos últimos sete anos, período em que o volume de crédito rural operado pelo banco saltou de cerca de R$ 3 bilhões para mais de R$ 10 bilhões. A política adotada combina crédito orientado, assistência técnica e incorporação de tecnologias, promovendo uma transformação estrutural na competitividade do agronegócio nordestino.

O Agroamigo, principal motor dessa expansão, foi responsável por mais de R$ 9,5 bilhões do volume total contratado pelo banco em 2025. Segundo o presidente do BNB, Wanger de Alencar, a relevância do programa está diretamente ligada à importância da agricultura familiar no país. “A agricultura familiar responde por cerca de 70% da produção de alimentos no Brasil, e o Banco do Nordeste é o principal agente financeiro dessa atividade na região”, afirmou. Ele ressaltou ainda que o valor médio de aproximadamente R$ 14 mil por operação é fundamental para elevar a produtividade, agregar valor à produção, ampliar a renda das famílias e garantir o abastecimento alimentar.

Essa pulverização do crédito, com tíquetes médios reduzidos, mas ampla capilaridade, alcançou mais de 766 mil produtores rurais em toda a área de atuação do banco. O modelo contribui para a redução de riscos financeiros, promove a redistribuição de renda e fortalece a economia dos pequenos municípios, sendo um elemento-chave para o desenvolvimento sustentável do interior nordestino.

Em Pernambuco, o superintendente estadual do BNB, Hugo Luiz de Queiroz, destacou que o crescimento das contratações reflete a vitalidade da agricultura familiar e o impacto transformador do crédito rural. Segundo ele, o financiamento tem se traduzido em mais produção, geração de renda e dinamização da economia rural, fortalecendo cadeias produtivas locais e ampliando oportunidades no campo.

O ano de 2025 também marcou os 30 anos do Pronaf, programa que desde sua criação já mobilizou R$ 778 bilhões em crédito em todo o país. Ao longo dessas três décadas, o perfil do financiamento evoluiu significativamente. Atualmente, os recursos operados pelo BNB atendem desde a aquisição de insumos básicos até investimentos em conectividade rural, mecanização, melhoramento genético e tecnologias sanitárias, iniciativas que antes estavam restritas aos grandes produtores.

Para o superintendente de Agronegócio e Microfinança Rural do banco, Luiz Sérgio Farias Machado, o crescimento de 250% nas operações nos últimos sete anos evidencia a maturidade do modelo adotado. Ele ressaltou que o suporte oferecido vai além do crédito, incluindo orientação técnica, melhorias sanitárias, inovação tecnológica e incentivo à diversificação das atividades produtivas.

Nesse sentido, o Agroamigo ampliou sua atuação para além da agricultura tradicional, passando a financiar atividades como artesanato, pesca, aquicultura e turismo rural. Essa diversificação é considerada essencial para a sustentabilidade econômica do semiárido, especialmente nas regiões do Agreste e Sertão, onde a renda agrícola muitas vezes depende da convivência com as condições climáticas adversas.

O balanço final de 2025 reforça que a agricultura familiar deixou de ser vista apenas como atividade de subsistência, consolidando-se como um setor econômico relevante, produtivo e cada vez mais bancarizado. Com quase 87 mil contratos de microcrédito apenas em Pernambuco, o Banco do Nordeste evidencia que a interiorização do capital é decisiva para a estabilidade econômica e social da região.

Para 2026, a expectativa é de continuidade desse crescimento, impulsionado pela digitalização dos serviços financeiros, pela ampliação do acesso a tecnologias produtivas e sanitárias e pelo fortalecimento das políticas públicas voltadas ao campo. O cenário projeta o Nordeste como principal referência nacional em microfinança rural, com a agricultura familiar ocupando um papel central no desenvolvimento econômico e social da região.

Copyright © 2025. Direitos Reservados.