
O Agroamigo, programa de microcrédito rural do Banco do Nordeste (BNB), completa 20 anos com mais de R$ 49 bilhões liberados e cerca de nove milhões de operações contratadas, abrangendo todos os estados do Nordeste. Criado em 2005 em meio a um cenário de seca e exclusão financeira, o programa tem sido essencial para ampliar a renda de agricultores familiares e promover a permanência das famílias no campo, apesar dos desafios ainda existentes em relação a políticas estruturantes complementares.
Desde sua origem, o Agroamigo enfrentou as dificuldades do meio rural nordestino, marcado por baixa renda, escassez de água e inacessibilidade ao crédito tradicional. Para superar essas barreiras, o programa adotou a metodologia do microcrédito produtivo orientado, na qual o agente de crédito visita a propriedade, conhece o contexto produtivo e acompanha o uso dos recursos, unindo crédito e orientação técnica.
O programa atende agricultores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com duas modalidades principais: Agroamigo Crescer, para o Pronaf B, e Agroamigo Mais, para produtores do Pronaf V com renda anual de até R$ 360 mil. Os recursos podem financiar atividades agrícolas, pecuárias e até negócios rurais não agropecuários, como agroindústrias caseiras, pesca artesanal e turismo rural.
Nos últimos cinco anos, o Agroamigo liberou mais de R$ 33 bilhões em mais de três milhões de operações, consolidando seu papel na economia rural do Nordeste. No Ceará, por exemplo, foram desembolsados mais de R$ 3,3 bilhões em 2025, com destaque para a pecuária, setor que representa mais de 80% das contratações do programa.
As histórias de agricultores atendidos ilustram os impactos do microcrédito rural. Josefa Barros, no Sertão pernambucano, conseguiu aumentar em 80% o lucro do laticínio após investir em energia solar com o apoio do Agroamigo e ampliar a produção por meio da compra de cabras. Outro exemplo é Priscila Ferreira de Lima, no Ceará, que diversificou sua produção em um pequeno espaço com cultivos variados e piscicultura, financiando barreiro e plantações por meio de sete operações de crédito.
Em Alagoas, Sebastiana Leandro Melo investiu em irrigação e infraestrutura para aumentar a renda familiar, ampliando a participação em feiras locais. Já em Sergipe, Ana Larissa e Tiago Dias transformaram a criação de ovinos em um negócio estruturado de floricultura, utilizando o microcrédito para adequar o viveiro e expandir vendas, inclusive para outros estados.
No interior do Ceará, Maria Aldair Ferreira demonstrou como o microcrédito do Banco do Nordeste permitiu agregar valor à produção com a fabricação de polpas de frutas e melhorar a logística por meio da aquisição de um veículo, aumentando a sustentabilidade de seu empreendimento e a geração de empregos na região.
Ao longo de duas décadas, o Agroamigo se consolidou não apenas como fonte de crédito, mas como instrumento de transformação social e econômica no meio rural nordestino, evidenciando que o acesso ao microcrédito, acompanhado de orientação e políticas adequadas, é fundamental para o desenvolvimento sustentável do campo.