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Agronegócio enfrenta alta recorde em pedidos de recuperação judicial em 2025
9 de março de 2026 / 17:49
Foto: Divulgação

Em 2025, os pedidos de recuperação judicial no setor do agronegócio brasileiro apresentaram um aumento expressivo de 56,4% em relação ao ano anterior, conforme dados divulgados pela Serasa Experian nesta segunda-feira (9). Ao todo, foram registrados 1.990 pedidos ao longo do ano, o maior número desde o início da série histórica em 2021.

O volume supera com folga os registros anteriores. Em 2024, foram contabilizadas 1.272 solicitações, enquanto em 2023 o número havia sido de 534. O crescimento acelerado evidencia as dificuldades enfrentadas por parte do setor, mesmo em um segmento que tradicionalmente apresenta forte relevância para a economia nacional.

O levantamento da Serasa Experian considera três segmentos da cadeia produtiva: produtores rurais pessoa física, produtores pessoa jurídica e empresas ligadas ao agronegócio, como cooperativas, tradings e companhias de insumos.

Entre os estados com maior número de pedidos de recuperação judicial, o destaque foi Mato Grosso, com 332 solicitações. Em seguida aparecem Goiás, com 296 pedidos; Paraná, com 248; Mato Grosso do Sul, com 216; e Minas Gerais, com 196 registros.

Os produtores rurais pessoa física concentraram o maior volume de pedidos, somando 853 solicitações, o que representa um aumento de 50,7% em comparação com 2024. Já entre os produtores pessoa jurídica foram registrados 753 pedidos, com crescimento ainda mais expressivo, de 84,1% no mesmo período.

No caso das empresas ligadas diretamente ao agronegócio, foram contabilizados 384 pedidos de recuperação judicial em 2025, um avanço de 29,3% em relação ao ano anterior. Esses números mostram que as dificuldades financeiras não se restringem apenas aos produtores, mas também atingem diferentes elos da cadeia produtiva.

Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, diversos fatores têm contribuído para o aumento das solicitações. Entre eles estão a maior restrição ao crédito rural, os elevados custos de produção e o alto nível de alavancagem financeira de muitos produtores e empresas do setor.

De acordo com o especialista, esses fatores acabam pressionando o fluxo de caixa das operações rurais, dificultando o cumprimento de compromissos financeiros. Ele ressalta, no entanto, que a recuperação judicial deve ser considerada apenas como um último recurso diante de dificuldades financeiras mais severas.

Pimenta também destaca a importância de medidas preventivas para evitar que a situação chegue a esse ponto. Estratégias como renegociação de dívidas, reestruturação financeira, planejamento de safra e melhor gestão de custos são apontadas como caminhos importantes para enfrentar períodos de instabilidade econômica.

O cenário observado em 2025 evidencia desafios crescentes para o agronegócio brasileiro. Embora o setor continue sendo um dos principais motores da economia do país, as pressões financeiras e as oscilações do mercado reforçam a necessidade de planejamento e estratégias eficientes para garantir a sustentabilidade das atividades rurais nos próximos anos.

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