
A cultura do café em Alagoas vem se expandindo e está próxima de colher sua primeira safra entre maio e junho. Atualmente, cerca de 12 famílias de três assentamentos em União dos Palmares cultivam aproximadamente 14 mil pés de café do tipo arábica, com planos de aumentar a área plantada nos próximos meses. A altitude das terras, em torno de 400 metros, tem sido um fator relevante para a qualidade dos cafeeiros e da produção. Um dos principais agricultores é o casal André e Manoela Souza, que abandonaram a vida em Maceió para investir na lavoura de café no assentamento, onde têm sete mil pés distribuídos em 1,5 hectare, com a intenção de ampliar para cinco hectares.
A técnica utilizada na plantação é o terraceamento, com os pés organizados em degraus para se adaptar à inclinação do terreno, facilitar os trabalhos agrícolas e reduzir a erosão do solo. A previsão é que a primeira colheita ocorra entre maio e junho de 2026. De acordo com o superintendente do Incra Alagoas, Júnior Rodrigues, as condições climáticas e a altitude da região favorecem o cultivo do café, incentivando também outros assentados a investirem nessa cultura.
Além do cultivo, André e Manoela instalaram viveiros com cerca de 40 mil mudas de café para ampliar a produção em municípios vizinhos, como Flexeiras, Santana do Mundaú, Murici e Jundiá. Essas mudas já foram comercializadas para assentados e agricultores familiares dessas localidades. O casal incentiva outras famílias do assentamento a plantarem café, com 12 famílias já cultivando seus próprios pés.
Enquanto aguarda a colheita, André está estruturando a atividade para beneficiar os grãos colhidos e planeja criar uma cooperativa para fortalecer a cadeia produtiva local. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) forneceu os contratos de concessão de uso e realizou a inscrição no Cadastro Ambiental Rural para os assentamentos, além de inscrever André no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar, que possibilita o acesso a linhas de crédito do governo.
Foi iniciado também um galpão para a instalação de uma agroindústria, incluindo a compra de um secador e uma máquina para descascar os grãos. A meta é adquirir equipamentos para torrar e moer o café, produzindo o pó e desenvolvendo uma marca própria. A cadeia produtiva do café em Alagoas vem sendo acompanhada pelo Sebrae, Sistema Faeal/Senar e Embrapa Alimentos e Territórios, que realizará estudos técnicos para estruturar essa cadeia.
O Sistema Faeal/Senar está atento às demandas do mercado agropecuário e reconhece o potencial da região serrana de Alagoas para o cultivo do café. Serão realizados estudos em municípios como Mar Vermelho, Viçosa, Quebrangulo e Pindoba para identificar as melhores variedades para cultivo em escala. No Litoral Sul, a Cooperativa Pindorama prepara o plantio experimental de café do tipo conilon em cerca de 10 hectares entre Coruripe e Penedo, buscando consolidar referências para o cultivo em regiões de clima quente.