
A recente valorização do diesel no Brasil, impulsionada pela alta dos preços internacionais do petróleo em meio a tensões no Oriente Médio, já começa a ser sentida diretamente pelos consumidores e deve impactar a inflação de março, segundo análises de especialistas.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação indica que, entre os dias 1º e 16 de março, o diesel S10 registrou aumento expressivo de 19,71%, com base em notas fiscais emitidas por distribuidoras. Esse avanço reflete rapidamente nas bombas de abastecimento e acende um alerta sobre seus efeitos na economia.
De acordo com a economista Andréa Angelo, o impacto direto da alta do diesel no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo deve ser relativamente limitado, com estimativa de cerca de 0,04 ponto percentual. Isso ocorre porque o peso do combustível dentro do índice é baixo, girando em torno de 0,20%.
Apesar disso, o efeito indireto tende a ser mais relevante e abrangente. Como o diesel é o principal combustível utilizado no transporte rodoviário — responsável pela maior parte da logística de mercadorias no país —, o aumento de seu preço eleva os custos de frete. Esse encarecimento pode ser repassado ao consumidor final, pressionando principalmente os preços de alimentos e outros itens essenciais.
A economista destaca que esse impacto indireto é mais difícil de calcular com precisão, mas pode se acumular ao longo dos próximos meses. A projeção é de que, até o fim do terceiro trimestre, o efeito possa adicionar cerca de 0,10 ponto percentual ao IPCA, refletindo o repasse gradual dos custos logísticos.
Já o economista Fábio Romão aponta que o cenário atual é resultado de forças distintas atuando simultaneamente. Enquanto medidas governamentais tentam conter a pressão inflacionária, a Petrobras anunciou recentemente um reajuste de 11,6% no preço do diesel, reforçando a tendência de alta.
Segundo os cálculos de Romão, a combinação desses fatores deve resultar em uma elevação de aproximadamente 12,2% no preço do diesel dentro do IPCA de março. Para abril, a expectativa é de um novo aumento, estimado em 4,3%. No acumulado dos dois meses, o impacto direto sobre o índice deve permanecer em torno de 0,04 ponto percentual.
Diante desse cenário, especialistas avaliam que os efeitos da alta do diesel não se limitarão ao curto prazo. A tendência é que, ao longo dos próximos meses, tanto os impactos diretos quanto os indiretos continuem influenciando o comportamento da inflação no Brasil, exigindo atenção de consumidores, empresas e formuladores de políticas econômicas.