
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) autorizou a empresa canadense Aura Minerals a modificar o traçado da BR-226 no município de Currais Novos, localizado no sertão do Rio Grande do Norte. A mudança visa viabilizar a extração de ouro que se encontra no subsolo da rodovia. Segundo a Aura Minerals, há cerca de 670 mil onças troy de ouro, equivalentes a aproximadamente 20,8 toneladas do metal precioso, localizadas abaixo do trecho atual da estrada. Esta área faz parte do projeto Borborema, que tem como objetivo extrair até 1,5 milhão de onças de ouro ao longo de cerca de 20 anos de operação. A exploração deste ouro pode resultar em uma receita líquida superior a US$ 3,06 bilhões, cerca de R$ 16 bilhões, considerando o preço médio do ouro em US$ 2.274 por onça durante o período estimado de produção.
A Aura Minerals adquiriu a mina em 2022, dois anos depois da conclusão dos estudos de viabilidade, e iniciou a produção comercial em setembro de 2025, tendo extraído 15,7 mil onças de ouro no último trimestre daquele ano. Com a autorização do Dnit, um trecho de 5,3 quilômetros da BR-226, entre os quilômetros 146 e 150, será desativado e substituído por um novo segmento da rodovia com aproximadamente 6 quilômetros. A empresa será responsável por financiar integralmente a obra, que inclui estudos, execução e todos os serviços necessários, sem custos para o governo. O cronograma prevê o início dos trabalhos em 14 de abril, com conclusão prevista para maio de 2027, e a escavação de cerca de 327,8 mil metros cúbicos de material.
O projeto Borborema compreende três concessões de lavra em uma área de cerca de 29 quilômetros quadrados e será explorado a céu aberto, com escavações que podem atingir até 300 metros de profundidade. A região está inserida no cinturão Seridó, onde está localizado o Seridó Geoparque Mundial da Unesco, englobando municípios como Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Currais Novos, Lagoa Nova e Parelhas. Especialistas destacam que a atividade de mineração poderá causar impactos ambientais, como emissão de ruídos, poeira e vibrações provocadas por explosões de rochas, o que exige um processo de licenciamento ambiental para esta nova fase de exploração. A presença do ouro em Currais Novos é conhecida desde os anos 1940, inicialmente identificada por garimpeiros, e a área foi explorada comercialmente pela empresa Xapetuba entre as décadas de 1970 e 1990, antes do encerramento das operações.