
O aluguel de imóveis continua a pressionar o orçamento do brasileiro, com reajustes anuais que superam os índices oficiais de inflação. Em 2025, segundo o Índice FipeZap, o valor médio dos aluguéis residenciais no país teve um aumento de 9,44%, praticamente o dobro da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou em 4,26% no ano.
Na Paraíba, especificamente na capital João Pessoa, a alta do aluguel residencial foi ainda mais expressiva, alcançando 15,31% em 2025, ficando entre as cinco capitais brasileiras com maior valorização no segmento. Os dados apontam que a rentabilidade média do aluguel na cidade chegou a 6,72%, ultrapassando a média nacional, estabelecida em 5,96%.
A valorização dos imóveis e o consequente aumento do preço por metro quadrado também elevaram os custos de aluguel em bairros nobres da capital, como Miramar, Portal do Sol, Bessa, Aeroclube e Manaíra, com o metro quadrado atingindo o valor de R$ 47,64 em dezembro de 2025.
O principal responsável por esses reajustes é a inflação, especialmente mediada pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que é o índice mais utilizado para os contratos de aluguel no Brasil, conforme a Lei nº 8.245/91. O IGP-M sofreu variação de 0,52% em março de 2026, mas acumulou deflação de 1,83% nos últimos 12 meses, situação que não reflete diretamente na redução do aluguel por conta das cláusulas contratuais que impedem reajustes negativos.
Além da inflação, a demanda crescente por imóveis para locação também pressiona os preços para cima. O aumento na valorização dos imóveis influenciou muitas pessoas a optarem pelo aluguel, elevando a procura na Paraíba, único estado do Nordeste com saldo migratório positivo, contribuindo para a elevação dos aluguéis, principalmente para imóveis mais escassos, como apartamentos maiores e casas.
Especialistas ressaltam que a lei da oferta e da procura é fundamental para entender a alta nos preços, destacando que o crescimento populacional e a maior procura por imóveis em João Pessoa intensificam a tendência de aumentos superiores aos índices oficiais.
Com a atualização da Lei do Inquilinato em 2025, os contratos de aluguel passaram a exigir cláusulas mais claras e detalhadas sobre valores, formas de pagamento e índices de reajuste, objetivando maior segurança jurídica para ambas as partes. Profissionais recomendam que locadores e inquilinos negociem de forma transparente e busquem auxílio jurídico ou de corretores para garantir que todos os termos estejam claros e evitar conflitos futuros.