
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou um conjunto de medidas destinadas a reforçar o controle sobre medicamentos injetáveis utilizados para emagrecimento no Brasil. A iniciativa surge em resposta ao aumento das irregularidades relacionadas à importação de insumos e à produção desses medicamentos por farmácias de manipulação, situação que exige maior rigor regulatório.
Entre as ações previstas pela Anvisa estão a revisão das normas que regem o setor, o aumento da fiscalização e a possibilidade de interditar estabelecimentos considerados de alto risco. Além disso, a agência pretende intensificar as inspeções em empresas importadoras e ampliar a cooperação com órgãos reguladores internacionais, buscando fortalecer o monitoramento e a segurança dos medicamentos em questão.
Os medicamentos que são foco das medidas incluem os agonistas de GLP-1, como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, que têm ganhado destaque no mercado para fins de emagrecimento. Dados recentes indicam discrepâncias entre o volume de insumos importados e a demanda estimada no país: no segundo semestre de 2025, cerca de 130 quilos dessas substâncias foram importados, quantidade suficiente para fabricar milhões de doses.
A fiscalização da Anvisa identificou problemas sérios nos processos de produção, incluindo falhas na esterilização, falta de controle de qualidade e o uso de insumos cuja origem não foi comprovada. Em 2026, foram realizadas 11 inspeções que resultaram na interdição de oito empresas e na apreensão de mais de 1,3 milhão de unidades do produto. Outro ponto preocupante refere-se ao aumento das notificações de efeitos adversos registradas no sistema VigiMed, algumas ligadas ao uso “off-label”, ou seja, fora das indicações aprovadas na bula.
Além das medidas regulatórias, a Anvisa planeja criar um grupo de trabalho integrado por entidades médicas e representantes do setor de saúde para acompanhar de perto a situação. A iniciativa ocorre em um contexto de expansão do mercado desses medicamentos, impulsionada, entre outros fatores, pelo fim da patente da semaglutida no Brasil, que pode ampliar a oferta de produtos. A agência reforça que a comercialização desses medicamentos depende da comprovação oficial de segurança, eficácia e qualidade, por meio do registro regulamentar.