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Apneia do sono agrava perda muscular em pacientes com DPOC
9 de março de 2026 / 16:33
Foto: Divulgação

A coexistência da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) com a síndrome da apneia obstrutiva do sono pode prejudicar significativamente a saúde dos pacientes, especialmente afetando a força e qualidade muscular, conforme revela um estudo publicado na revista Scientific Reports.

A DPOC é caracterizada por dificuldades respiratórias que limitam as atividades diárias, enquanto a apneia do sono é marcada por roncos altos e sonolência excessiva durante o dia. Quando essas condições ocorrem juntas, os efeitos negativos no organismo são potencializados.

A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com apoio da Fapesp, destaca que a DPOC não afeta apenas os pulmões, mas é uma doença sistêmica.

Segundo a coordenadora Audrey Borghi Silva, “a DPOC, apesar de ser associada à função pulmonar, é uma condição sistêmica que, quando combinada com a apneia do sono, intensifica os danos musculares, resultando em perda de força e desfechos clínicos mais severos, como hospitalizações e maior risco de óbito”.

O estudo avaliou 44 participantes, divididos entre pacientes com DPOC associada à apneia do sono e outros com apenas DPOC. A força muscular, medida pela preensão palmar, foi menor no grupo com ambas condições, com média de 26 kgf contra 30 kgf no grupo de DPOC isolada. Além disso, no teste de caminhada de seis minutos, o grupo com as duas doenças percorreu em média 300 metros, contra 364 metros no grupo com DPOC apenas.

Distâncias abaixo de 350 metros no teste de caminhada indicam maior risco de hospitalização e mortalidade, reforçando o impacto negativo da associação entre DPOC e apneia do sono.

Os pesquisadores também destacaram o índice de dessaturação de oxigênio (IDO) como um fator relevante para a perda muscular, sendo mais influente que o índice de apneia-hipopneia (IAH). A hipóxia noturna intermitente, caracterizada por quedas repetidas de oxigênio no sangue, pode gerar estresse oxidativo, inflamação sistêmica e alterações metabólicas nos músculos, provocando perda de massa e função muscular.

Ambas as condições, DPOC e apneia do sono, já estão relacionadas a processos inflamatórios sistêmicos. Quando combinadas, essa inflamação se intensifica, afetando as mitocôndrias, responsáveis por gerar energia celular. Isso prejudica a contração e regeneração muscular, criando um ciclo de enfraquecimento progressivo e restrição funcional.

O estudo ressalta a importância do diagnóstico dos distúrbios respiratórios do sono em pacientes com DPOC para aprimorar protocolos clínicos e programas de reabilitação. Apesar de a DPOC não ter cura, seu controle é possível por meio de medicamentos, abandono do tabagismo, exercícios físicos regulares e alimentação equilibrada, que ajudam a preservar a função cardiorrespiratória e a massa muscular.

Para a apneia do sono, o uso do CPAP, que mantém as vias aéreas abertas durante o sono, é um tratamento comum. Recomenda-se ainda evitar álcool e sedativos antes de dormir, manter hábitos regulares de sono e adotar um estilo de vida saudável para melhorar a respiração noturna e a qualidade de vida dos pacientes.

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