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Atores paraibanos projetam a Paraíba no cinema mundial com o agente secreto
25 de janeiro de 2026 / 19:08
Foto: Divulgação

O cinema brasileiro vive um de seus momentos mais expressivos no cenário internacional e, desta vez, a Paraíba ocupa um lugar de destaque nessa projeção global. O filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, alcançou quatro indicações ao Oscar 2026, igualando o recorde histórico de “Cidade de Deus” e posicionando o Brasil entre os protagonistas da maior premiação do cinema mundial. Mais do que números ou troféus, esse reconhecimento revela a maturidade artística do audiovisual nacional e evidencia o papel estratégico do Nordeste — e especialmente da Paraíba — como território criativo, formador e produtivo.

Dentro desse contexto, a presença de oito atores e atrizes paraibanos no elenco do longa ganha um significado que ultrapassa a representatividade simbólica. Buda Lira, Suzy Lopes, Fafá Dantas, Joalisson Cunha, Flávio Melo, Cely Farias, Beto Quirino e Márcio de Paula integram uma produção que dialoga diretamente com temas centrais da história e da identidade brasileira, como memória política, autoritarismo, território, resistência e pertencimento — marcas recorrentes da filmografia de Kleber Mendonça Filho.

A atuação desse grupo reforça a Paraíba como um celeiro de talentos consolidados, que hoje ocupam espaços relevantes na indústria audiovisual brasileira e internacional. A participação no circuito de grandes festivais, como Cannes, e o reconhecimento em premiações globais como o Globo de Ouro e agora o Oscar, colocam esses profissionais em posição estratégica dentro da cadeia produtiva do cinema, ampliando não apenas carreiras individuais, mas também a visibilidade institucional do estado.

“O Agente Secreto” é protagonizado por Wagner Moura, que faz história ao se tornar o primeiro brasileiro indicado ao Oscar na categoria de Melhor Ator, um marco inédito para o país. O filme acompanha a trajetória de Marcelo, um professor que chega ao Recife em 1977 fugindo das ameaças da ditadura militar, encontrando no carnaval e no ambiente urbano um cenário pulsante para uma narrativa que mistura suspense político, drama familiar e crítica social. A obra foi indicada nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Seleção de Elenco, consolidando-se como uma das produções brasileiras mais relevantes da década.

A presença dos atores paraibanos nesse projeto contribui diretamente para reposicionar o Nordeste como um polo de criação, pensamento e técnica cinematográfica, rompendo com estigmas históricos e reafirmando a região como protagonista de narrativas complexas, universais e sofisticadas. Trata-se de um movimento que fortalece o audiovisual como ativo econômico, cultural e estratégico, capaz de gerar empregos, atrair investimentos, movimentar turismo, formar públicos e projetar identidades no mercado global.

Entre esses nomes, destaca-se Buda Lira, natural de Uiraúna, no sertão paraibano. Com uma trajetória sólida construída no teatro, cinema e televisão, Buda acumula participações em filmes de grande impacto como “Aquarius” e “Bacurau”, além de trabalhos em séries exibidas na TV aberta e em plataformas de streaming. Sua carreira é marcada por uma construção consistente e gradual, sem atalhos, no competitivo eixo Rio–São Paulo.

Formado em Educação Artística pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com especialização em Arte-Educação, Buda Lira também atua como produtor, gestor cultural e agente formador, mantendo uma relação ativa com a cena cultural paraibana. Para ele, a projeção internacional de “O Agente Secreto” amplia o debate sobre o audiovisual como um setor econômico estruturante, que precisa ser tratado como política pública estratégica.

Segundo o ator, o verdadeiro impacto desse reconhecimento internacional só se consolida com investimentos contínuos em cultura, educação, formação técnica, formação de público, ampliação de salas de cinema, centros culturais e políticas estruturantes de longo prazo. Ele ressalta que o sucesso individual precisa estar conectado a um compromisso coletivo de fortalecimento do ecossistema cultural.

“O Agente Secreto” reafirma a diversidade estética e narrativa do cinema brasileiro, contribuindo para sua inserção sustentável no mercado internacional. Ao mesmo tempo, projeta os territórios que formam seus artistas, revelando não apenas talentos individuais, mas também histórias, saberes, métodos e visões de mundo enraizadas na Paraíba.

Para Buda Lira, ocupar esses espaços de destaque implica também a responsabilidade de abrir caminhos para as novas gerações, fortalecendo a relação entre cultura e educação e ampliando o acesso aos bens culturais. A presença dos oito artistas paraibanos em um dos filmes mais relevantes do cinema latino-americano em 2026 deixa clara uma estratégia contemporânea: investir em cultura é investir em imagem, reputação, economia criativa e desenvolvimento sustentável.

Assim, “O Agente Secreto” não projeta apenas o cinema brasileiro para o mundo, mas também consolida a Paraíba como um território ativo na construção dessa história. Em um cenário global que valoriza a diversidade de narrativas e olhares, a cultura se afirma como ativo fundamental de posicionamento internacional — e artistas como Buda Lira ajudam a garantir que a Paraíba não esteja apenas assistindo a esse movimento, mas escrevendo, atuando e protagonizando essa transformação.

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