
O sistema de Transposição do Rio São Francisco segue avançando graças à combinação de investimentos públicos, engenharia nacional e equipamentos de grande porte produzidos na China. Em 2025, seus 477 quilômetros de estruturas principais estão operando de forma contínua, beneficiando mais de 12 milhões de pessoas em 390 municípios. A expectativa é que o projeto passe por uma mudança institucional importante, com a concessão administrativa prevista para ser leiloada após março de 2026, o que deve alterar o modelo de gestão, além de ampliar a capacidade de manutenção e operação do sistema.
De acordo com o contrato em fase de elaboração, a concessionária que assumir o serviço deverá investir R$ 542 milhões nos primeiros 36 meses, além de gerenciar a operação e monitoramento das estações de bombeamento que elevam a água em mais de 200 metros de desnível, garantindo o acesso ao recurso em regiões acima da cota natural do rio, tanto no Eixo Norte (260 km) quanto no Eixo Leste (217 km). A concessão administrativa do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) está na fase final de modelagem, com previsão de edital até março de 2026.
O contrato também definirá metas de desempenho para a operação e manutenção de nove estações de bombeamento, 27 reservatórios, 13 aquedutos, quatro túneis e linhas de transmissão associadas. Com essa mudança, o projeto transitará da fase de obras pesadas para um ciclo consolidado de operação, com reforços tecnológicos, manutenção de longo prazo e maior coordenação com sistemas estaduais de distribuição.
Entre os dias 29 de novembro e 5 de dezembro de 2025, uma equipe técnica do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional visitou a China para acompanhar a fabricação de seis novas bombas de grande porte destinadas ao Eixo Norte. Esses equipamentos são produzidos na fábrica da Ruhrpumpen, localizada em Changzhou, e permitirão duplicar a vazão atual do eixo, que passará de 25 m³/s para quase 50 m³/s a partir de 2027, quando a instalação das bombas começará.
Durante a missão, foram realizadas inspeções na linha de produção, verificações de parâmetros de desempenho e acompanhamento do cronograma de entrega, que prevê a chegada das bombas em abril, julho e outubro de 2027 para as estações EBI-1, EBI-2 e EBI-3, respectivamente. Além disso, a delegação brasileira conheceu importantes obras hídricas internacionais, como o Projeto de Desvio de Água Sul-Norte, o maior sistema de transposição do mundo, trocando experiências e adquirindo conhecimentos que poderão ser aplicados no aprimoramento da operação e gestão do PISF.
O projeto, iniciado em 2007, enfrenta grandes desafios estruturais, especialmente em regiões de relevo acentuado como a Serra da Borborema. Para superar esses obstáculos, o sistema utiliza estações de bombeamento que elevam o volume de água a cotas sucessivamente mais altas, com desníveis que chegam a cerca de 200 metros equivalentes à altura de um prédio de 65 andares. Esta operação em “degraus hidráulicos” sustenta o deslocamento das águas ao longo dos 477 quilômetros, conectando canais, túneis e aquedutos para garantir o abastecimento em locais acima do nível natural do rio.
O Eixo Norte, com 260 km, possui três estações de bombeamento intermediárias que elevam a água em 188 metros ao longo de 82 km desde a captação em Cabrobó (PE). As estações EBI-1, EBI-2 e EBI-3 realizam elevações de 36, 58,5 e 93,6 metros, respectivamente, e foram concluídas entre 2017 e 2022, permitindo o pleno funcionamento do eixo em 2025.
Já o Eixo Leste, com 170,6 km, apresenta o maior esforço hidráulico do sistema. Entregue entre 2017 e 2021, conta com seis estações de bombeamento que elevam a água em 332,43 metros, o que equivale a mais de 110 andares de altura. Nesse eixo, a água é elevada até reservatórios em cotas superiores e segue por gravidade até a próxima estação. Essa combinação de recalques e escoamento controlado garante a segurança hídrica contínua para Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
No dia 18 de dezembro, o governo federal inaugurou no Palácio do Planalto uma maquete física de 30 metros quadrados e cerca de 600 quilos que representa o sistema completo da transposição, desde a captação até os trechos finais. A maquete é composta por dez módulos e reproduz todas as etapas da obra, incluindo canais, estações de bombeamento, reservatórios e túneis, com uma distorção vertical de 30%. Uma versão digital em 3D também foi apresentada, oferecendo um passeio virtual com dados técnicos detalhados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou uma experiência em realidade virtual com a maquete e destacou a grandiosidade do projeto. Ele sugeriu que a maquete seja levada ao Congresso Nacional para aumentar o conhecimento dos parlamentares sobre a importância da obra. O presidente da Câmara, Hugo Motta, também destacou o valor da iniciativa para demonstrar a relevância da transposição para o Nordeste.