
A aviação civil brasileira atingiu um marco histórico em 2025 ao transportar cerca de 130 milhões de passageiros durante o ano, um aumento de 9% em comparação a 2024, consolidando-se como o melhor desempenho do setor até hoje. Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Ministério de Portos e Aeroportos, em uma coletiva feita pelo ministro Silvio Costa Filho, em Brasília, no dia 14 de janeiro.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo mercado internacional, que registrou 28,5 milhões de passageiros em voos internacionais, equivalente a um aumento de 13,7% na comparação anual e 20% superior ao período pré-pandemia. Nos últimos três anos, mais de 30 milhões de novos passageiros passaram a utilizar o transporte aéreo no Brasil, destacando a importância do setor para a integração nacional e o desenvolvimento regional. O desempenho positivo está relacionado a investimentos constantes e à modernização da infraestrutura aeroportuária, além da redução do custo das passagens aéreas, cuja Tarifa Aérea Média caiu 11% entre 2022 e 2025, de R$ 724,69 para R$ 639,22, ampliando o acesso da população aos voos.
Para acompanhar essa demanda crescente, o setor foi um dos principais focos do Novo PAC, que destinou R$ 1,8 bilhão para projetos em 31 aeroportos de 16 estados em 2025, com ênfase na interiorização da aviação e na segurança operacional. A previsibilidade regulatória também contribuiu para que investimentos privados chegaram a R$ 2,6 bilhões no ano, somados a R$ 608,4 milhões em investimentos públicos diretos. Destacam-se os avanços dos programas AmpliAR e Investe+Aeroportos, que juntos garantiram investimentos superiores a R$ 5 bilhões, fortalecendo aeroportos regionais, centros logísticos e infraestruturas de manutenção.
Impacto nos investimentos
Segundo o ministro Silvio Costa Filho, o Brasil mais do que dobrou os investimentos privados em aeroportos nos últimos três anos, totalizando R$ 8,7 bilhões entre 2023 e 2025, além de um recorde de R$ 1,06 bilhão em investimentos públicos. Para 2026, estão previstos cinco leilões aeroportuários, incluindo o do Galeão, com investimentos previstos acima de R$ 1,7 bilhão. Em termos ambientais, 2025 marcou a criação do primeiro programa estruturado de financiamento verde para a aviação, com R$ 4 bilhões do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) em parceria com o BNDES. Os recursos visam financiar inovação, aquisição de aeronaves brasileiras e desenvolvimento de combustível sustentável de aviação (SAF), além do avanço do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, que pretende reduzir emissões progressivamente a partir de 2027.
No aspecto social, destacam-se programas voltados à inclusão, como o atendimento a passageiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que resultou em salas multissensoriais e capacitação de profissionais, bem como campanhas contra o assédio no ambiente aéreo e iniciativas para formação técnica em manutenção aeronáutica. O balanço positivo se estendeu também à logística, com portos movimentando 1,16 bilhão de toneladas até outubro de 2025, crescimento de 4,03% em relação ao ano anterior, e investimentos superiores a R$ 529 milhões em hidrovias voltados para dragagens, modernização e ampliação das instalações portuárias.
No total, o Ministério de Portos e Aeroportos realizou 21 leilões que somaram R$ 11 bilhões em investimentos em 2025, com previsão de cerca de 40 novos leilões para 2026, incluindo a primeira concessão hidroviária do país, a hidrovia do Paraguai, além de novos projetos portuários e aeroportuários. Estes avanços reforçam a estratégia de integração logística e expansão da infraestrutura nacional, consolidando o crescimento da aviação brasileira.