
O Nordeste é a segunda região do Brasil que mais receberá recursos da carteira de projetos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), conforme anunciado em Brasília nesta terça-feira (24) pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. De um total de R$ 41,7 bilhões previstos para a indústria naval e infraestrutura portuária em todo o país, R$ 11,9 bilhões serão destinados à região nordestina, com a expectativa de gerar 46.041 empregos diretos em 26 obras. A região Sul lidera os investimentos com R$ 14,1 bilhões, seguida do Sudeste com R$ 10,4 bilhões e do Norte com R$ 5,3 bilhões.
Deste montante para o Nordeste, R$ 11,2 bilhões, o equivalente a 94% do total regional, serão aplicados na Bahia, que concentra 45.016 dos empregos diretos previstos para a região. O Ceará contará com R$ 636,1 milhões vinculados a um projeto de infraestrutura portuária que prevê 1.000 empregos diretos. Pernambuco possui R$ 6,7 milhões em dois serviços de reparo e docagem, totalizando 25 empregos diretos. Ao todo, a carteira nordestina engloba 16 empresas e 4 estaleiros.
Segundo Silvio Costa Filho, esses números refletem a consolidação de uma política pública de escala. O ciclo atual de investimentos superou os R$ 87 bilhões em projetos aprovados, um aumento significativo em relação aos R$ 22,8 bilhões registrados entre 2019 e 2022, impulsionando contratações e fortalecendo a indústria naval brasileira em termos de emprego e competitividade.
O Estaleiro Enseada do Paraguaçu, localizado em Maragogipe (BA), é o maior investimento privado na indústria naval nacional, com cerca de US$ 1 bilhão investidos, capacidade para processar mais de 100 mil toneladas de aço por ano e 1.000 metros de cais. Após recuperação judicial, o estaleiro reiniciou operações em janeiro de 2026 com a entrega do primeiro lote de 13 barcaças mineraleiras para a LHG Mining, projeto realizado em parceria com a Tenenge (Grupo Novonor), que gerou cerca de 600 empregos diretos e até 900 indiretos no Recôncavo Baiano. A encomenda total prevê 80 barcaças, cada uma com capacidade para transportar 2.900 toneladas.
Além disso, os novos contratos do FMM para a região envolvem projetos expressivos, como o da DOF Subsea Brasil, com investimento de R$ 2,8 bilhões para construção de quatro embarcações RSV, que dão suporte a equipamentos no fundo do mar, e o grupo CMM Offshore Brasil, que aprovou seis projetos para construção de navios de resposta a derramamentos de óleo, totalizando R$ 2,813 bilhões. O Estaleiro Belov Offshore, em Simões Filho (BA), possui três projetos aprovados desde janeiro de 2026 para construção de diferentes tipos de embarcações, com investimento total superior a R$ 970 milhões.
Em Pernambuco, dois projetos referentes a serviços de reparo e docagem no Estaleiro Atlântico Sul, em Suape, somam R$ 6,8 milhões e 25 empregos diretos, focados na manutenção de embarcações de terceiros.
É importante destacar que a aprovação dos projetos não significa a contratação imediata. Nacionalmente, o montante aprovado pelo FMM para o ciclo 2023–2026 é de R$ 87,7 bilhões, porém, até o momento, foram efetivamente contratados apenas R$ 14,2 bilhões, cerca de 16% do total. No Nordeste, os R$ 11,9 bilhões seguem o mesmo padrão, estando pendentes de contratação conforme os prazos das resoluções.
Na 12ª Reunião Extraordinária do CDFMM, realizada em 25 de fevereiro, três projetos nordestinos foram priorizados, incluindo a construção de infraestrutura portuária no Ceará com valor de R$ 795,1 milhões e previsão de 1.000 empregos diretos, além de projetos para modernização de terminais na Bahia avaliados em R$ 132,8 milhões e 72 empregos diretos.
O maior projeto individual pendente na região é o da Bahia Mineração S.A. (BAMIN), com infraestrutura aquaviária avaliada em R$ 4,597 bilhões, representando 39% da carteira regional. A validade da resolução será até junho de 2026, e se a contratação não ocorrer até lá, esse processo precisará ser reapresentado.
Em âmbito nacional, a indústria naval brasileira ultrapassou os 55 mil empregos diretos atualmente, um aumento de 358% em relação ao período de menor atividade, quando contava com cerca de 12 mil trabalhadores. A carteira contratada cresceu de R$ 1,6 bilhão para R$ 14,2 bilhões entre os ciclos, com 2025 sendo o ano de maior execução financeira da história do fundo.
Para o secretário-executivo do Ministério de Portos e Aeroportos e presidente do CDFMM, Tomé Franca, o avanço nas contratações fortalece a logística nacional, ampliando a eficiência e a competitividade do país. A próxima reunião ordinária do CDFMM está prevista para 18 de junho, com prazo para submissão de novos projetos até 20 de abril.