
O Banco Mundial apresentou, em evento realizado na Sudene nesta quinta-feira (11), o relatório intitulado “Rotas para o Nordeste: Produtividade, Empregos e Inclusão”, que destaca os obstáculos estruturais para o crescimento da região e propõe caminhos para aumentar a produtividade e a mobilidade social. O estudo gerou reações variadas entre representantes de instituições públicas, pesquisa e entidades regionais, que apontaram a necessidade de aprofundar o debate sobre políticas regionais adaptadas ao novo cenário econômico, especialmente após a reforma tributária.
O economista sênior do Banco Mundial, Cornelius Fleischhaker, ressaltou que é fundamental construir, em conjunto com os governos estaduais, um modelo de desenvolvimento regional que vá além dos incentivos fiscais. Segundo ele, políticas tradicionais podem não ser sustentáveis, por isso é importante encontrar formas mais estratégicas de estimular o crescimento, investir em infraestrutura e conectar jovens formados com empregos mais produtivos. Apesar de o relatório não identificar fontes específicas de financiamento, Fleischhaker mencionou que a possibilidade de liberação de crédito para estados permanece em aberto, dependendo do avanço das reformas. Ele enfatizou que o Nordeste pode expandir sua produtividade ao integrar políticas de educação, inovação e infraestrutura.
A diretora do Banco Mundial no Brasil, Cécile Fruman, destacou o potencial da região, que possui uma das populações mais jovens do país e cresce em setores como energia limpa, mas reconheceu a desaceleração do ritmo de convergência econômica na última década, com crescimento médio do PIB per capita de apenas 0,9% ao ano entre 2010 e 2022. Para a instituição, dificuldades logísticas, baixa digitalização, saneamento deficiente e ambiente de negócios fragmentado limitam o avanço da indústria e dos serviços, que empregam 86% da força de trabalho regional.
Representantes de várias instituições, como fundações de pesquisa e órgãos de planejamento, criticaram aspectos do relatório, destacando a necessidade de incluir análises aprofundadas sobre desigualdades sociais e raciais, diversidade territorial e mobilidade social, além de questionar a viabilidade das recomendações diante das restrições financeiras estaduais.
Visando avançar no debate, o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, propôs a criação de um grupo de trabalho para aprofundar a análise e avaliar os impactos das sugestões do Banco Mundial nas políticas regionais. Ele ressaltou que o relatório é relevante, mas precisa ser complementado com uma leitura integrada que considere aspectos sociais, identitários e territoriais da região, essenciais para qualificar políticas de crédito, fomento e planejamento. O coordenador-geral de Estudos e Projetos da Sudene, José Farias, ponderou que o documento pode embasar agendas futuras, mas sua interpretação deve levar em conta condicionantes econômicos e sociais históricos, com o objetivo de transformar o debate em políticas públicas efetivas para o desenvolvimento do Nordeste.
Além disso, a presidente do Conselho de Economia de Pernambuco, Ana Claudia Arruda, enfatizou que 55% da população em extrema pobreza está no Nordeste, evidenciando que o ambiente econômico e social precisa ser devidamente considerado. Complementando, a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil, Bettina Ferraz Barbosa, afirmou que os indicadores mostram melhora, mas ressaltou que o futuro do Brasil não pode ser pensado sem o Norte e o Nordeste.
A apresentação contou com a participação de diversas instituições, como o PNUD Brasil, fundações de amparo à pesquisa de vários estados, além de representantes governamentais. O grupo de trabalho proposto pela Sudene deverá organizar as contribuições, encontrar pontos em comum e estabelecer um plano técnico aprofundado, visando reduzir divergências e guiar decisões estratégicas para o Nordeste no novo contexto pós-reforma tributária.