
Criado há 28 anos no Conjunto Palmeiras, bairro da periferia de Fortaleza, o Banco Palmas é reconhecido como o primeiro banco comunitário do Brasil. Fundado pela Associação dos Moradores, o banco surgiu com o propósito de diminuir a desigualdade social e econômica, já que a região apresenta um índice de desenvolvimento humano (IDH) de apenas 0,12, valor extremamente baixo. O bairro compõe a Regional 9 da capital cearense, que inclui outras áreas como Cajazeiras, Barroso, Jangurussu, Parque Santa Maria, Ancuri e Pedras, todas com IDH inferior a 0,5, marcando um perfil socioeconômico bastante vulnerável. A iniciativa do Banco Palmas ganhou destaque nacional por oferecer alternativas econômicas inovadoras para a comunidade local.
O banco nasceu da necessidade de manter os moradores no bairro e impedir que abandonassem suas casas por falta de recursos financeiros. Segundo Joaquim Melo, diretor do Banco Palmas, a origem do projeto remonta a 1997, quando uma pesquisa revelou que muitos moradores, precisando de dinheiro para emergências como cirurgias, se viam obrigados a vender seus barracos e deixar o bairro. Para combater essa situação, o banco ofereceu uma plataforma de microcrédito a juros baixos, incentivando a produção e o consumo dentro da própria comunidade.
Entre as ferramentas pioneiras da instituição está a moeda social chamada Palmas, que pode ser utilizada pelos moradores e comerciantes credenciados para pagar produtos e serviços sem sair do bairro. O banco também dispõe de um aplicativo que funciona como um sistema de pagamentos digital, semelhante a um “Pix interno”, permitindo transações rápidas e até a troca da moeda social por reais. Atualmente, mais de 20 mil pessoas têm contas digitais no Banco Palmas, e cerca de 3 mil estabelecimentos utilizam a moeda local, que movimentou perto de um milhão de reais em 2025 na economia do bairro.
Além da moeda social e do crédito, o Banco Palmas desenvolveu o programa Palmas Solar, a primeira usina solar solidária do Ceará. O projeto beneficia principalmente famílias de baixa renda, que conseguem reduzir em até 70% o valor da conta de energia elétrica sem precisar investir na instalação das placas solares. Essa iniciativa representa um importante avanço para a redução dos custos básicos das famílias locais, reforçando o papel do banco como agente de transformação social.
De acordo com os moradores beneficiados, como Elisângela, os descontos na conta de energia têm impactado positivamente o orçamento familiar, permitindo que o dinheiro economizado seja utilizado no comércio local, promovendo um ciclo virtuoso de desenvolvimento regional. Joaquim Melo destaca que o sucesso do banco se deve à capacidade produtiva das comunidades, que necessitam apenas de oportunidades e recursos para prosperar. Com essa estrutura, o Banco Palmas continua a consolidar-se como referência de inclusão financeira e economia solidária em Fortaleza.