
A previsão de crescimento das operações de crédito no Brasil para 2026 foi revisada para cima pelos bancos, passando de 8,2% para 8,4%. A atualização foi divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) na Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, realizada com 21 instituições financeiras entre os dias 3 e 9 de fevereiro, logo após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Apesar da leve alta na projeção, o setor ainda prevê desaceleração em comparação a 2025, quando o crédito cresceu 10,2%. Para 2026, a expansão deverá ser impulsionada principalmente pelo crédito direcionado, cuja estimativa passou de 9,4% para 9,6%. No segmento empresarial, a projeção avançou de 9,7% para 11,1%, refletindo o impacto de programas governamentais voltados a micro, pequenas e médias empresas.
Por outro lado, o crédito direcionado às famílias registrou pequena redução na expectativa, de 9,1% para 9%. Já a carteira com recursos livres permaneceu estável, com previsão de crescimento de 7,6% em 2026. Dentro desse grupo, houve revisão positiva no crédito às pessoas físicas, que passou de 8,6% para 9,1%, favorecido pela resiliência do mercado de trabalho. Em contrapartida, a projeção para pessoas jurídicas recuou de 6,2% para 5,6%.
Segundo Rubens Sardenberg, diretor de economia, regulação prudencial e riscos da Febraban, a melhora nas projeções está concentrada na carteira livre para famílias e na carteira direcionada para empresas. Ele destacou que, mesmo com a taxa básica de juros elevada, o crédito deverá continuar crescendo, ainda que em ritmo mais moderado.
Em relação à taxa Selic, atualmente fixada em 15% pelo Banco Central do Brasil, a maioria das instituições financeiras espera o início do ciclo de cortes já em março, com redução de 0,5 ponto percentual. Mais de 60% dos bancos acreditam que a Selic encerrará 2026 abaixo de 12,25%. Além disso, 76,2% avaliam que o Copom acertou ao manter os juros na última reunião, sinalizando flexibilização monetária no curto prazo.
Para 2027, a expectativa é de crescimento de 7,7% na carteira total de crédito, sendo 7,4% na carteira livre e 8,3% na carteira direcionada, indicando continuidade da expansão, porém em ritmo mais contido.
No cenário macroeconômico, houve mudança nas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB). Diminuiu de 55% para 38,1% o número de bancos que estimam crescimento em torno de 1,8% em 2026. Ao mesmo tempo, aumentou de 15% para 28,6% a parcela dos que esperam expansão superior a esse patamar, enquanto 33,3% projetam desempenho inferior ao consenso.
No campo fiscal, 71,4% das instituições consideram necessário que o governo adote medidas adicionais para cumprir a meta fiscal de 2026 — percentual menor que os 80% registrados em dezembro. Entre esses, 47,6% defendem ações voltadas principalmente ao controle de despesas, como contingenciamentos ou revisão de gastos fora da meta.
Quanto à inadimplência, a expectativa para a carteira livre em 2026 foi mantida em 5,2%, abaixo dos 5,5% registrados em 2025. Para 2027, a previsão é de recuo para 4,9%, sinalizando melhora gradual na qualidade do crédito e maior equilíbrio no sistema financeiro.
O conjunto dos dados indica que, mesmo diante de juros elevados e desafios fiscais, o setor bancário mantém expectativa de crescimento consistente do crédito nos próximos anos, sustentado pelo mercado de trabalho resiliente, políticas de estímulo direcionadas e perspectiva de início do ciclo de queda da Selic.