
O Brasil alcançou um novo marco em infraestrutura científica com a inauguração do supercomputador Jaci, uma máquina de alta performance que eleva o padrão da supercomputação científica no país. Essa tecnologia é especialmente destinada à previsão do tempo, modelagem climática e monitoramento ambiental. A cerimônia oficial de lançamento, conduzida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ocorreu na unidade do INPE em Cachoeira Paulista (SP).
O Jaci veio para substituir o supercomputador Tupã, ampliando de forma considerável a capacidade de processamento de dados no Brasil. Essa evolução possibilita a realização de simulações climáticas e meteorológicas mais rápidas e com maior nível de detalhes. O nome escolhido, por meio de votação popular, homenageia a deusa da lua na mitologia tupi-guarani, ressaltando a integração entre cultura e ciência na iniciativa.
Este projeto faz parte da Renovação da Infraestrutura de Supercomputação (RISC), que tem como objetivo modernizar o parque de supercomputação do INPE até 2028. Além da ampliação dos sistemas, o projeto inclui melhorias na infraestrutura elétrica, implementação de refrigeração eficiente e a instalação de uma usina fotovoltaica para assegurar sustentabilidade energética.
O novo supercomputador oferece potência muito superior ao seu antecessor, permitindo modelos de previsão com alta resolução espacial e temporal. Isso significa previsões climáticas e meteorológicas mais precisas e rápidas, o que é fundamental frente ao aumento dos eventos extremos, como secas e enchentes. Essa capacidade reforça o apoio ao Modelo Integrado de Previsão do Oceano, Terra e Atmosfera (Monan), além de aprimorar o monitoramento ambiental e a antecipação de alertas para desastres naturais, contribuindo para a proteção da população e para a mitigação de prejuízos econômicos.
Além da previsão climática, o supercomputador Jaci amplia as possibilidades para pesquisas avançadas em áreas como bioinformática, astrofísica, inteligência artificial, big data e modelagem socioambiental. Essa expansão tecnológica coloca a ciência brasileira em um patamar comparável aos principais centros internacionais de supercomputação.
No âmbito econômico e social, especialistas ressaltam que o supercomputador terá impacto significativo em setores estratégicos. Na agricultura, as previsões detalhadas podem diminuir perdas e aumentar a produtividade. No setor de energia, análises precisas ajudam a planejar o uso eficiente dos recursos hídricos, reduzindo a dependência de usinas termelétricas. O monitoramento de riscos possibilita a antecipação de secas, enchentes e outros eventos, orientando políticas públicas e estratégias de mitigação. Para os setores de seguros e finanças, modelos de risco mais confiáveis contribuem para a melhor precificação de apólices e gestão de capitais.
A ministra da Ciência, Luciana Santos, destacou que o Jaci representa o sistema mais avançado de previsão do tempo e clima já instalado no Brasil. O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 30 milhões via Finep, parte de um projeto amplo que totaliza cerca de R$ 200 milhões.
A operação do supercomputador Jaci acontece em um momento em que esses sistemas se consolidam como ativos estratégicos na corrida global científica e tecnológica. Países como Estados Unidos, China e membros da União Europeia utilizam supercomputadores para pesquisas de ponta. Com essa infraestrutura fortalecida, o Brasil avança em soberania tecnológica e capacidade de inovação, reduzindo sua dependência de dados e sistemas externos.
Considerando o contexto de eventos meteorológicos extremos que causaram grandes prejuízos e afetaram milhões de pessoas em 2025, a melhoria nas previsões climáticas com o Jaci representa um avanço científico fundamental. Além disso, funciona como um importante instrumento de proteção social e redução de custos para os setores público e privado, ajudando a mitigar os impactos dos desastres naturais.