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Brasil mantém competitividade com tarifa global de 10% dos EUA, diz Alckmin
21 de fevereiro de 2026 / 15:48
Foto: Divulgação

O Brasil não perderá competitividade diante da nova tarifa global de 10% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conforme afirmou nesta sexta-feira (20) o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A tarifa será aplicada a todos os países exportadores, mantendo o Brasil em condições iguais no mercado norte-americano.

A declaração foi feita após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegais as tarifas anteriores impostas por Trump com base em poderes de emergência. Por seis votos a três, a Corte decidiu que a criação de tarifas é prerrogativa do Congresso, e não do Executivo.

Essa decisão anulou parte importante do chamado tarifaço, quando o governo dos EUA estabeleceu uma alíquota global de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 50% em alguns casos. Para Alckmin, a decisão é “muito importante” para o Brasil e abre caminho para ampliar as trocas comerciais, afirmando que “abriu-se uma avenida para um comércio mais pujante”.

No momento mais crítico das medidas, 37% das exportações brasileiras estavam sujeitas a tarifas, percentual que caiu para 22% ao fim do ano passado após negociações diplomáticas. Após a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou que buscará novos meios legais para manter sua política tarifária, confirmando a criação de uma nova taxa global de 10%, baseada em outros dispositivos da legislação comercial americana.

Geraldo Alckmin destacou que a nova tarifa não altera a posição relativa do Brasil no comércio com os EUA. “Os 10% são globais. Não perdemos competitividade”, afirmou. O ministro ressaltou que setores como máquinas, motores, madeira, pedras ornamentais, café solúvel e frutas podem se beneficiar com a redução das barreiras anteriores.

Além disso, produtos estratégicos como aço e alumínio, afetados pela Seção 232 da legislação americana, ainda podem ter desdobramentos jurídicos. Essa seção permite que os EUA imponham tarifas sobre importações consideradas ameaças à segurança nacional. Alckmin reforçou que o Brasil não está entre os países que geram déficit comercial para os EUA e defendeu a continuidade do diálogo bilateral, afirmando que “a negociação continua”.

Especialistas avaliam que a derrubada das tarifas pode favorecer a retomada das exportações brasileiras e estimular a economia americana ao reduzir pressões inflacionárias por meio da diminuição dos preços de produtos importados. Em 2025, as exportações do Brasil para os EUA totalizaram US$ 37,7 bilhões, representando 10,8% do total exportado pelo país.

A diminuição das barreiras comerciais pode influenciar o fluxo de investimentos e o comportamento do dólar, impactando a economia brasileira. Apesar do revés judicial, o governo americano sinaliza que poderá abrir novas investigações comerciais e estruturar tarifas utilizando outros instrumentos legais, mantendo a política de proteção à indústria americana como prioridade em sua estratégia econômica.

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