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Brasil ultrapassa um cartão de crédito por habitante e setor avança rumo à saturação
9 de março de 2026 / 10:17
Foto: Divulgação

O Brasil já conta com mais de um cartão de crédito ativo para cada habitante, conforme dados divulgados pelo Banco Central e pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Esse dado evidencia o crescimento acelerado do uso dos cartões no consumo das famílias brasileiras e indica que o setor pode estar caminhando para um estágio próximo da saturação. Ao longo da última década, o cartão de crédito consolidou-se como um dos principais instrumentos de pagamento no país, sendo amplamente utilizado tanto em compras presenciais quanto no comércio eletrônico.

Segundo a Abecs, em 2025 as transações realizadas com cartão de crédito movimentaram R$ 3,1 trilhões, o que representa um aumento de 14,5% em relação a 2024. Esse crescimento demonstra não apenas a maior adesão dos consumidores ao meio de pagamento, mas também a ampliação da oferta de crédito por parte das instituições financeiras. Em contraponto, as operações com cartão de débito cresceram apenas 0,2%, totalizando R$ 1 trilhão no mesmo período, o que sinaliza uma mudança no comportamento dos consumidores, que têm priorizado o crédito em detrimento do pagamento imediato.

O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2025 com 243 milhões de cartões de crédito ativos, superando a população estimada em 213,4 milhões de habitantes, segundo o IBGE. Isso significa que, em média, cada brasileiro possui mais de um cartão de crédito em circulação. Esse fenômeno pode ser explicado pela diversificação de produtos oferecidos pelas instituições financeiras, além da estratégia de muitos consumidores de utilizar diferentes cartões para aproveitar benefícios específicos, como programas de pontos, cashback e parcelamentos diferenciados.

Com uma média superior a 40 mil transações de cartão de crédito por minuto no ano anterior, destaca-se a importância desse meio de pagamento no dia a dia financeiro dos brasileiros. A praticidade, a possibilidade de parcelamento e os programas de fidelidade são fatores que ajudam a explicar a popularização do cartão. Além disso, o crescimento do comércio digital e das plataformas de assinatura também contribuiu para ampliar a dependência desse instrumento de pagamento.

Diante de um público que já possui diversos cartões, bancos e fintechs têm intensificado a concorrência para conquistar a preferência dos consumidores. Nesse contexto, especialistas apontam que a tendência futura do setor será a chamada “principalidade”, conceito que se refere ao cartão que se torna o mais utilizado pelo cliente no cotidiano. Ou seja, mais importante do que apenas emitir novos cartões será garantir que o consumidor escolha determinado cartão como sua principal forma de pagamento.

Os maiores bancos de capital aberto do país — Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil — finalizaram 2025 com uma carteira de crédito em cartões que somou R$ 373,7 bilhões, valor 11,5% superior ao registrado em dezembro de 2024. Esse crescimento evidencia que, apesar da forte competição no setor, as grandes instituições financeiras ainda mantêm uma posição relevante no mercado de crédito por meio de cartões.

Entre as iniciativas utilizadas para atrair e reter clientes, destacam-se o lançamento de cartões com benefícios exclusivos e programas de fidelidade cada vez mais sofisticados. Muitos desses produtos oferecem vantagens como acesso a salas VIP em aeroportos, pré-venda de ingressos para shows e eventos, além de parcerias com redes internacionais de hotéis e companhias aéreas. Essas estratégias são voltadas principalmente para o público de alta renda, que tende a concentrar maiores volumes de gastos e, consequentemente, gerar maior rentabilidade para as instituições emissoras.

No segmento da classe média, por outro lado, a estratégia tem sido ampliar o acesso por meio de cartões sem anuidade, limites mais flexíveis e a possibilidade de emissão de cartões adicionais gratuitos. Essa abordagem busca aumentar a base de clientes e estimular o uso recorrente do cartão no cotidiano, especialmente em compras parceladas, modalidade bastante popular entre os consumidores brasileiros.

As fintechs também desempenham um papel importante nesse cenário competitivo. Empresas digitais têm investido em tecnologia e análise de dados para aprimorar suas ofertas de crédito. O Nubank, por exemplo, passou a utilizar ferramentas de inteligência artificial para avaliar o comportamento financeiro dos clientes e, com base nessas informações, ampliar limites de crédito para usuários que demonstram maior capacidade de pagamento e menor risco de inadimplência.

Apesar do crescimento expressivo do mercado de cartões, esse meio de pagamento enfrenta uma concorrência crescente de novas tecnologias financeiras, especialmente do Pix. O sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central ganhou grande popularidade nos últimos anos e vem sendo cada vez mais utilizado tanto por consumidores quanto por empresas. Com a introdução do Pix Parcelado, especialistas avaliam que pode ocorrer uma mudança significativa na dinâmica do crédito no país, uma vez que essa funcionalidade permite parcelar pagamentos sem necessariamente recorrer ao cartão de crédito tradicional.

Ainda assim, analistas do setor acreditam que o cartão de crédito continuará desempenhando um papel central no sistema financeiro brasileiro nos próximos anos. A combinação de benefícios, programas de recompensas e integração com plataformas digitais tende a manter sua relevância, embora o ritmo de expansão possa se tornar mais moderado devido ao alto nível de penetração já alcançado.

Dessa forma, a presença massiva de cartões de crédito por habitante e o cenário competitivo atual indicam um mercado em fase de transição. A busca por inovação, personalização de serviços e estratégias de fidelização deverá se intensificar, à medida que bancos e fintechs procuram garantir espaço em um ambiente cada vez mais disputado dentro do sistema financeiro nacional.

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