
O Banco de Brasília (BRB) afirmou que não há risco de intervenção na instituição e que o banco dispõe de capital suficiente para absorver os impactos decorrentes das investigações envolvendo o Banco Master. Controlado majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal (GDF), o BRB ressaltou que segue operando normalmente e que todas as medidas estão sendo acompanhadas de perto pelo Banco Central.
Em nota, o banco informou que planeja vender ativos recuperados do Banco Master como parte da estratégia para reforçar sua posição financeira, enquanto prosseguem as auditorias independentes e as análises regulatórias. Segundo a instituição, qualquer eventual aporte de capital só será avaliado após a conclusão dos estudos técnicos em andamento.
O BRB destacou ainda que possui um plano de capitalização estruturado e garantiu que eventuais aportes do acionista controlador não comprometeriam recursos destinados a políticas públicas do Distrito Federal.
Posição do Ministério da Fazenda
O Ministério da Fazenda negou que o ministro Fernando Haddad tenha discutido com o GDF ou com a direção do BRB uma exigência imediata de aporte de capital sob risco de intervenção. A pasta evitou comentar detalhes técnicos do acompanhamento feito pelo Banco Central, reforçando que o processo segue os trâmites regulares de supervisão.
Investigações e impacto financeiro
Os prejuízos relacionados às operações com o Banco Master ainda estão sendo apurados por auditoria independente e pelo próprio Banco Central, o que levou o BRB a não divulgar o balanço do terceiro trimestre. Todas as operações ligadas ao caso estão sendo analisadas em uma investigação forense, conduzida por um escritório externo, com acompanhamento das autoridades competentes.
No início de 2025, em razão dessas operações, o BRB descumpriu temporariamente limites prudenciais exigidos pelo Banco Central. Como resposta, o regulador impôs restrições à aquisição de novos ativos financeiros e determinou a apresentação de um plano de solução no prazo de seis meses, sem exigir, contudo, um aporte imediato de capital.
O Banco Master é alvo de investigações por fraudes em carteiras de crédito. O BRB adquiriu cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras posteriormente consideradas fraudulentas, que foram substituídas e seguem sob avaliação. Há ainda outras operações entre as instituições, incluindo investimentos por meio de fundos, cujos impactos financeiros continuam sendo analisados.
Expansão nacional e atenção do mercado
Nos últimos anos, o BRB passou por uma rápida expansão nacional, ampliando sua presença física e digital em diversos estados. Esse crescimento acelerado atraiu maior atenção do mercado e dos órgãos reguladores quanto à solidez patrimonial e à governança da instituição.
Embora as investigações se concentrem no Distrito Federal, a atuação do banco em outros estados também está sob análise, especialmente em locais onde assumiu contratos de grande relevância e ampliou significativamente sua base de clientes.
Situação na Paraíba
Na Paraíba, o BRB reforçou que as investigações não afetam sua operação no estado. Em 2025, o banco assumiu a administração de cerca de R$ 2,6 bilhões em depósitos judiciais e administrativos do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), por meio de licitação. Segundo o banco, esse contrato não está sob investigação e não há qualquer risco à segurança operacional dos recursos.
O BRB destacou ainda investimentos em tecnologias como o Pix Judicial e a modernização dos processos de pagamento, garantindo maior eficiência e transparência na gestão dos depósitos.
Apesar de manifestações de preocupação por parte de entidades do setor bancário paraibano quanto aos possíveis reflexos do caso na economia local, o banco reafirmou que mantém plena capacidade operacional, além de cumprir rigorosamente as normas legais, de governança e de integridade exigidas para uma instituição financeira pública.
Compromisso com transparência e governança
Em comunicado, o BRB reiterou que atua em cooperação permanente com o Banco Central e que todas as operações eventualmente relacionadas à Operação Compliance Zero estão sob investigação independente, conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll.
A instituição reafirmou seu compromisso com a transparência, a governança e a conformidade regulatória, destacando que seguirá colaborando integralmente com as autoridades até a conclusão das auditorias e análises técnicas em andamento.