
Um vídeo que mostra um caboclo de lança mirim conquistando a internet viralizou recentemente nas redes sociais. O pequeno Ravi Luccas Soares dos Santos, de apenas 2 anos, aparece dançando sozinho o maracatu, uma das principais expressões culturais da Zona da Mata de Pernambuco. A imagem do caboclo, símbolo importante do maracatu de baque solto, representa uma tradição que vem sendo passada pela família de Ravi há gerações. As gravações foram feitas pelo influenciador Evivan Jordão da Silva em 23 de janeiro, mostrando o menino com um surrão nas costas — uma estrutura de madeira coberta por chocalhos que é presa ao corpo — e segurando um cabo de vassoura com uma fita que simboliza a lança do caboclo.
Em entrevista, Joana Darc de Barros Santos, mãe de Ravi e diretora do grupo Maracatu Cambinda Estrela, revelou que o vídeo foi registrado durante um encontro familiar na sede do grupo, localizada em Itaquitinga, Zona da Mata Norte, enquanto preparavam os ornamentos para o carnaval. “Estávamos finalizando as fantasias para o carnaval quando seu pai terminou o surrão dele. Fomos para a sede do maracatu e, ao perceber, vimos o Ravi dançando. Evivan registrou e compartilhou nas redes”, explicou Joana.
Além de Joana, o pai de Ravi, Sandro Luiz Soares da Silva, também é caboclo de lança e faz parte da direção do grupo, assim como o irmão mais velho do menino, Luyz Guilherme. A mãe ressaltou que o filho mais velho também começou a participar do maracatu aos 2 anos, destacando que a manifestação cultural transcende uma simples tradição, pois representa identidade e pertença transmitidas de geração em geração.
“Para nossa família, o maracatu é mais que uma festa ou brincadeira. Ele é raiz, pertencimento e continuidade. Começou com meu filho mais velho quando ele deu seus primeiros passos como caboclo, despertando um encantamento que envolveu toda a família”, complementou Joana.
Para este ano, Ravi está se preparando para sua primeira apresentação oficial com o grupo, acompanhando a família. A mãe enfatizou a importância do maracatu como elo entre as gerações, afirmando: “Com a chegada do meu filho, que fará sua estreia, o maracatu reforça a herança viva, a identidade sendo construída desde cedo e a união familiar ao som dos tambores. Para nós, o maracatu é amor, resistência cultural e a certeza de que nossas tradições estarão vivas pelas futuras gerações”.