
Em 2025, os portos da Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco movimentaram juntos 55,6 milhões de toneladas por meio da cabotagem, representando 91,6% do total transportado pelos portos do Nordeste via modal marítimo costeiro. De acordo com o levantamento anual da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o volume geral para a região alcançou 60,7 milhões de toneladas entre janeiro e dezembro, superando os 60,3 milhões registrados em 2024, embora a distribuição das cargas entre os estados não tenha sofrido alterações significativas.
A Bahia liderou o volume transportado, com 15,3 milhões de toneladas. O Terminal Aquaviário de Madre de Deus foi responsável por 9,6 milhões de toneladas exclusivamente em granel líquido, focando principalmente em petróleo bruto e derivados, com um aumento de 9,62% em relação ao ano anterior. O Porto de Salvador e o Porto de Aratu movimentaram 1,8 milhão e 0,304 milhão de toneladas, respectivamente. Enquanto isso, cerca de 3,6 milhões de toneladas foram distribuídas entre terminais privados não detalhados publicamente pela Antaq.
No Maranhão, a cabotagem atingiu 14,6 milhões de toneladas, sendo o Terminal Portuário Privativo do Alumar, em São Luís, destaque com 10,1 milhões de toneladas, principalmente de bauxita, que é redistribuída para outras regiões brasileiras. O Porto do Itaqui movimentou 2,5 milhões em cabotagem, apesar de seu volume total atingir 36,8 milhões, focado principalmente no comércio de soja, fertilizantes e milho em longo curso.
O Ceará operou 12,9 milhões de toneladas em cabotagem, com destaque para o Terminal Portuário do Pecém, que registrou 7,8 milhões de toneladas nessa modalidade, enquanto o Porto de Fortaleza contabilizou 2,2 milhões. No pecém, as cargas principais incluem contêineres, minério de ferro, ferro, aço e carvão mineral, sendo que a movimentação total do terminal chegou a 20,5 milhões de toneladas.
Pernambuco fechou o grupo dos quatro estados com maior movimentação, com 12,8 milhões de toneladas em cabotagem. O Porto de Suape liderou no estado, respondendo por 9,9 milhões, equivalente a 77% do total estadual, com predominância de granel líquido relacionado à cadeia de produção do petróleo e seus derivados, além de significativa movimentação de contêineres. O Porto do Recife registrou apenas 0,046 milhão de toneladas em cabotagem e concentra-se no longo curso com cargas como açúcar e produtos químicos.
A consolidação da cabotagem no Nordeste também reflete mudanças na legislação, especialmente a Lei nº 14.301/2022, que instituiu o Programa BR do Mar. Essa lei proporciona isenção do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) para cargas com origem ou destino nos portos do Norte e Nordeste, reduzindo custos e autorizando o afretamento de embarcações estrangeiras a casco nu, o que aumentou a disponibilidade de navios e facilitou a expansão da cabotagem regional. Além disso, a lei estimula operações em rotas ainda não consolidadas, como as de contêineres no Terminal Portuário do Pecém e no Porto de Suape.
Estados fora do núcleo dos quatro principais, como Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Sergipe, juntos movimentaram 5,1 milhões de toneladas pela cabotagem. O Porto de Maceió, por exemplo, teve 0,371 milhão em cabotagem, e o Porto de Cabedelo registrou 0,531 milhão, apesar da queda na movimentação total observada em 2025. O Porto de Areia Branca, no Rio Grande do Norte, movimentou 1,4 milhão de toneladas exclusivamente de sal por meio da cabotagem.
Para 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos ainda não divulgou metas específicas, mas a previsão de ampliações em terminais nordestinos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deve aumentar a capacidade da região, possibilitando que estados ainda fora do núcleo ampliem sua participação na cabotagem nacional. Assim, a cabotagem no Nordeste segue em expansão, com forte concentração em quatro estados e potencial para crescimento nos próximos anos.