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Canetas para emagrecer afetam consumo em bares e restaurantes na Paraíba
10 de abril de 2026 / 19:58
Foto: Divulgação

O uso de medicamentos para emagrecimento, popularmente conhecidos como “canetas”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, já começa a refletir mudanças no comportamento de consumo em bares e restaurantes, inclusive na Paraíba. Embora os impactos ainda sejam considerados iniciais, especialistas e empresários do setor já observam sinais claros de transformação no perfil dos clientes.

De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, realizado com 1.417 estabelecimentos em todo o país, 61% dos entrevistados afirmaram já perceber efeitos desses medicamentos na redução do consumo. Curiosamente, isso não significa queda no fluxo de clientes — os salões continuam cheios —, mas sim uma mudança no comportamento à mesa: pedidos mais enxutos, maior compartilhamento de pratos e menor solicitação de itens adicionais, o que reduz o valor final da conta.

Na Paraíba, esse fenômeno é mais perceptível entre consumidores de maior poder aquisitivo, que frequentam locais com ticket médio mais elevado. Segundo a presidente da Abrasel no estado, Thâmara Cavalcanti, há uma tendência crescente por escolhas mais equilibradas, com menos gordura e açúcar e maior foco em proteínas. Ou seja, o hábito de sair para comer permanece, mas o volume consumido diminui consideravelmente.

Em João Pessoa, restaurantes tradicionais já sentem essa mudança. No Gulliver Restaurante, por exemplo, a preferência por pratos menores e refeições mais leves tem se tornado mais comum. Já no Tramice, a percepção é de que os clientes estão mais seletivos, buscando experiências gastronômicas mais qualificadas, mesmo consumindo menos quantidade.

Esse movimento local acompanha uma tendência global. Grandes redes, como a McDonald’s, já começam a adaptar seus cardápios, investindo em opções mais leves e com maior teor de proteína. O padrão observado inclui redução do consumo calórico, menor procura por sobremesas e decisões alimentares menos impulsivas, impactando diretamente categorias que dependem de volume de vendas.

A explicação está na forma como esses medicamentos atuam no organismo. Eles aumentam a sensação de saciedade e retardam o esvaziamento gástrico, fazendo com que a pessoa se sinta satisfeita mais rapidamente e por mais tempo. Isso leva a uma alimentação mais controlada e seletiva, especialmente com menor ingestão de carboidratos.

Apesar dessas mudanças, o aspecto social de frequentar bares e restaurantes permanece forte. As pessoas continuam saindo, encontrando amigos e vivendo experiências gastronômicas — o que muda é apenas a quantidade consumida. Assim, o avanço dessas medicações já começa a redesenhar o comportamento do consumidor e a desafiar o setor de alimentação a se adaptar a uma nova realidade.

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