
Na primeira Assembleia Geral dos Governadores do Consórcio Nordeste em 2026, realizada em Maceió na quinta-feira, 5 de fevereiro, foi aprovada a Carta de Maceió, documento que estabelece a infraestrutura, o desenvolvimento sustentável e a cooperação federativa como pilares de um projeto regional integrado. Um dos principais destaques da Carta é a implantação de um trem de cargas e passageiros, que entrou oficialmente como foco central da agenda dos governadores para promover a integração produtiva e social no Nordeste.
Paulo Dantas, governador de Alagoas e novo presidente do Consórcio Nordeste, assumiu a liderança com a proposta de consolidar uma agenda comum que vise priorizar a infraestrutura, o desenvolvimento produtivo, a sustentabilidade ambiental e a cooperação entre os estados. A carta aponta a infraestrutura deficiente como um gargalo estruturante na região e destaca a implantação do trem de cargas e passageiros como uma prioridade estratégica, além da modernização das malhas rodoviária e aérea e da ampliação da conectividade digital. Para os governadores, a integração logística é essencial para diminuir desigualdades históricas e aumentar a competitividade da região.
Segundo Paulo Dantas, “Estradas melhores, portos ampliados, energia e conectividade formam a base material desse desenvolvimento”. Ele ressaltou ainda projetos estruturantes como a Ferrovia Transnordestina e a Ferrovia de Integração Oeste–Leste, que são fundamentais para esse processo. A Carta também reconhece os investimentos recentes do Governo Federal em rodovias, mas destaca que o enfrentamento das desigualdades exige continuidade, maior escala e coordenação entre União, estados e municípios.
Além da infraestrutura, a Carta de Maceió destaca importantes iniciativas culturais e ambientais. O lançamento do Programa Nordeste Criativo visa impulsionar a cultura, a criatividade e a diversidade simbólica como vetores do desenvolvimento econômico da região, integrando turismo, inovação, educação e inclusão social. A agenda ambiental prioriza a proteção da Caatinga, bioma exclusivo do Brasil, e manifesta apoio à candidatura do Brasil para sediar a COP 18 da Convenção da ONU de Combate à Desertificação em 2028 no Nordeste. Os governadores também alertaram sobre a intensificação da estiagem, com impactos diretos no abastecimento de água e segurança alimentar, defendendo uma gestão de crise conjunta com o Governo Federal.
No campo econômico, a Carta ressalta a Chamada Nordeste, que já conta com R$ 113 bilhões em projetos aprovados como instrumento para fomentar o desenvolvimento produtivo regional. Há uma reivindicação para corrigir distorções históricas no sistema de crédito que limitam investimentos no Nordeste, além do apoio à metodologia da ANEEL para o rateio de R$ 8,8 bilhões destinados a modicidade tarifária, beneficiando consumidores residenciais de baixa renda, predominantes na região.
A assembleia também contou com a assinatura de acordos de cooperação com organizações como o Sebrae, a ENAP e a Fundação Itaú, focados na capacitação de gestores públicos e no fortalecimento das cadeias produtivas. Outro ponto importante foi a parceria anunciada com o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, que em conjunto com o BNDES, liberou US$ 1,5 bilhão para financiar projetos de infraestrutura no Nordeste, investimento que foi motivado pela apresentação do Plano Brasil Nordeste de Transição Energética na COP.
A Carta de Maceió reforça o compromisso dos governadores do Nordeste em promover a integração logística e desenvolvimento sustentável da região, com o trem de cargas e passageiros como um dos principais eixos para fortalecer a competitividade e reduzir desigualdades históricas.