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Cearense única mulher entre brasileiros na olimpíada internacional de física
22 de março de 2026 / 09:32
Foto: Divulgação

Maria Beatriz Mesquita Ximenes, de 16 anos e natural do Ceará, é a única representante feminina entre os estudantes brasileiros classificados para as principais competições internacionais de Física em 2026. Conhecida como Mabe, ela conquistou uma das quatro vagas da delegação brasileira para a Olimpíada Ibero-Americana de Física (OIbF) deste ano. Aluna do 3º ano do ensino médio no Colégio Farias Brito, em Fortaleza, Mabe mantém uma rotina de estudos muito intensa, dedicando grande parte do seu tempo ao treinamento específico para olimpíadas.

A trajetória de Mabe teve início há mais de dois anos, quando ela decidiu sair de Sobral para morar em Fortaleza, a fim de buscar melhores oportunidades acadêmicas e contar com um suporte mais robusto na escola para as competições internacionais. Hoje ela mora com a tia e conta com bolsa integral na instituição de ensino, conquistada graças ao seu excelente desempenho. Seu dia a dia pode chegar a quase 14 horas na escola, com até 11 aulas em um só dia, incluindo aulas práticas em laboratórios de Física e Robótica.

Apesar do sucesso, Mabe enfrenta o desafio da falta de representatividade feminina nas ciências exatas, o que torna a jornada solitária. Ela destaca que o maior obstáculo é psicológico, devido à ausência de outras meninas nas competições. “É uma tristeza muito grande não ver outras meninas junto comigo. Por causa disso, acaba se tornando um processo muito solitário”, afirma a estudante, que, mesmo assim, nunca sofreu preconceito direto de colegas e recebe apoio dos professores.

Sua trajetória nas olimpíadas começou com a conquista de medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Física em 2024, avançando para o Torneio Brasileiro de Física em 2025, onde garantiu sua vaga para disputar a OIbF, que ocorrerá entre 25 de setembro e 1º de outubro em João Pessoa, Paraíba. O professor e coordenador da equipe do Colégio Farias Brito, Cadu Farias, destaca que Mabe foi selecionada por mérito próprio, sem necessidade da cota feminina.

A participação de Mabe é vista como um exemplo que pode estimular outras meninas a persistirem na área das ciências exatas, tradicionalmente dominada por homens. No ano corrente, a escola passou a contar com outras quatro alunas no grupo de treinamento para olimpíadas. Segundo dados do Inep, ainda existe uma disparidade grande entre homens e mulheres nos cursos STEM, mas a presença crescente de referências femininas pode ajudar a mudar esse cenário.

Para Mabe, sua dedicação não é apenas para conquistar medalhas, mas principalmente para abrir caminho para outras mulheres na Física. Ela planeja seguir carreira que una Física e tecnologia, com interesse focado em Computação Quântica, área que acredita ter grande potencial para a próxima revolução tecnológica. Considera seguir os estudos no Brasil ou no exterior, apesar dos desafios enfrentados por físicos no país, principalmente relacionados à valorização profissional.

Assim, Maria Beatriz representa não apenas uma promissora jovem talento da Física brasileira, mas também um símbolo importante da crescente inclusão feminina em uma área desafiadora e ainda muito masculina.

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