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Centro histórico de João Pessoa se torna maior ativo imobiliário da cidade
30 de janeiro de 2026 / 09:42
Foto: Divulgação

Por muitos anos, o Centro Histórico de João Pessoa foi valorizado principalmente como um espaço de memória. Reconhecido como Patrimônio Nacional em 2007, o local guarda importantes conjuntos arquitetônicos brasileiros, como o Centro Cultural São Francisco, o Mosteiro de São Bento, a Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves e o Hotel Globo. Com praças, museus e casarões que remontam à fundação da capital em 1585, esse espaço foi essencial para a construção da identidade da cidade.

Entretanto, o Centro Histórico de João Pessoa passou a ser visto, também, como o maior ativo imobiliário subutilizado da cidade. Essa nova perspectiva aponta para a possibilidade de destravar investimentos significativos, ampliar oportunidades de empregos e fomentar novos negócios, atraindo o interesse de empresários, investidores e gestores públicos.

O processo de reocupação do Centro Histórico é considerado uma política urbana, uma ação cultural e uma estratégia econômica de longo prazo, capaz de redefinir o mapa produtivo da capital e aliviar a pressão sobre áreas já saturadas, como a orla marítima.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de João Pessoa (CDL-JP), Nivaldo Vilar, o momento atual é de transição e apresenta grandes esperanças para o local. Ele destaca o crescimento em setores como gastronomia, economia criativa e serviços, reforçando o valor econômico do Centro Histórico, onde está o berço da cidade.

Apesar do cenário marcado por imóveis fechados e degradação aumentada durante a pandemia, já existem sinais claros de reocupação, com um novo ciclo econômico emergindo na região. A retomada do uso dos imóveis promove um fluxo maior de pessoas, gera postos de trabalho diretos e indiretos, e dinamiza o consumo local, fazendo do Centro um destino atrativo e não apenas um local de passagem.

Medidas como a implantação da Zona Azul têm um papel fundamental para facilitar o acesso, garantir rotatividade e organizar o comércio, aumentando as vendas e melhorando a experiência dos frequentadores.

Do ponto de vista empreendedor, o Centro Histórico oferece vantagens competitivas, principalmente pelo custo reduzido de aluguéis e despesas operacionais, permitindo que empreendedores invistam mais em infraestrutura, marketing e inovação. Esse cenário torna a área estratégica para aqueles que desejam iniciar ou transferir negócios.

A reocupação do Centro Histórico deve ser encarada como um vetor econômico estruturante, que integra comércio, serviços, turismo, cultura, tecnologia e moradia. Esse processo contribui para o fortalecimento da arrecadação e da economia local, construindo uma dinâmica comercial contínua e consolidando a região como um polo inovador e competitivo para o futuro.

Embora haja desafios a superar, como a necessidade de melhorias na segurança, infraestrutura urbana e superação da associação cultural do Centro com a degradação, o processo de valorização já está em andamento.

A gestão pública tem apoiado essa transformação por meio do programa Viva o Centro, que oferece incentivos fiscais relevantes, como isenção de IPTU e ITBI, além da redução do ISS, estimulando a economia local e reconhecendo a importância dos moradores antigos do bairro.

Outro foco importante é a reocupação habitacional, com projetos em andamento para revitalizar edificações históricas e garantir um plano habitacional estruturado para as próximas gestões, assegurando a continuidade do desenvolvimento da região.

O diálogo com o setor privado também tem se intensificado, mostrando interesse crescente em investimentos no Centro Histórico, como a negociação para instalação de um hotel do grupo Vila Galé no antigo Colégio Diocesano Pio XII, um projeto que promete impulsionar a área central da capital.

A transferência do potencial construtivo, mecanismo que permite aos proprietários de imóveis tombados comercializar o potencial não utilizado, é outra ferramenta fundamental para viabilizar recursos para restauração e preservação dos prédios históricos.

A ativação cultural e a participação popular são partes essenciais dessa estratégia, com iniciativas que incluem parcerias para formação profissional, gastronomia, música e audiovisual, fortalecendo a economia criativa e garantindo diálogo constante com moradores, comerciantes e trabalhadores.

Experiências em outras capitais, como Recife e Salvador, servem de inspiração, mostrando que é possível transformar centros históricos em polos de economia, cultura e turismo, valorizando simultaneamente o patrimônio e as comunidades locais.

Assim, a revitalização do Centro Histórico de João Pessoa vai muito além da simples reforma de fachadas: representa uma readequação econômica e social para o século XXI, combinando preservação e inovação para assegurar a sustentabilidade e o protagonismo desse território na capital.

Para o presidente da CDL-JP, Nivaldo Vilar, a atual conjuntura representa uma janela rara de oportunidades, reunindo investimento público, incentivos fiscais, iniciativas culturais e fortalecimento da economia criativa, que resultam na valorização crescente do Centro Histórico e em posições privilegiadas para novos investidores.

O secretário da Secretaria de Preservação, Revitalização e Inovação do Centro Histórico ressalta que a maior conquista é a confiança renovada da população e do mercado, que passa a investir e se reconectar com esse espaço fundamental para João Pessoa.

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