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Chico Science e o manguebeat: 60 anos do cientista dos ritmos
13 de março de 2026 / 09:38
Foto: Divulgação

Francisco de Assis França Caldas Brandão, conhecido como Chico Science, completaria 60 anos em 13 de março de 2026. Nascido em Olinda, Pernambuco, ele foi um dos grandes nomes da música pernambucana e um dos idealizadores do movimento Manguebeat, que mudou o cenário cultural do Recife. Sua imagem marcante, com chapéu de palha, óculos escuros e colares, tornou-se símbolo de uma geração que rompeu barreiras ao trazer sonoridades locais para o mundo. Com o lançamento do álbum “Da Lama ao Caos” na década de 1990, Chico Science e a Nação Zumbi lançaram um verdadeiro manifesto que colocou o mangue como tema central da cultura urbana da região.

De acordo com Luciana Mendonça, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e autora do livro “Manguebeat: A Cena, o Recife e o Mundo”, Chico Science era um verdadeiro cientista dos ritmos. Sua trajetória foi marcada por intensa experimentação musical e pela circulação por diversos gêneros, desde o break até a música negra, hip hop e soul music. Antes da formação da Nação Zumbi, ele fundou bandas como Bom Tom Rádio e Loustal, dando início a uma trajetória que consolidaria sua identidade artística e musical. O contato com as musicalidades das periferias do Recife foi fundamental para moldar seu estilo único.

O músico se destacou pela habilidade de reunir artistas e ideias distintas, tornando-se o principal nome da cena Manguebeat. Foi ele quem batizou o movimento, inspirado na imagem do mangue, ecossistema singular e central no Recife, como uma metáfora para a diversidade musical que pretendia expressar. A cena agregou produções culturais locais já existentes, ampliando sua visibilidade e valorizando a pluralidade sonora da cidade. Em vez de substituir a cultura popular pernambucana, o Manguebeat elevou mestres regionais a palcos maiores, mantendo viva a tradição e promovendo fusões musicais inovadoras.

Chico Science e a Nação Zumbi lançaram dois álbuns fundamentais: “Da Lama ao Caos” e “Afrociberdelia”, ambos considerados entre os melhores da década e influentes no panorama da música popular brasileira. A originalidade da mistura de ritmos tradicionais pernambucanos com elementos do rock, hip hop e música eletrônica marcou uma ruptura na música nacional e abriu portas para festivais internacionais de World Music. O legado de Chico Science ultrapassa a música, inspirando bandas a expressarem suas próprias identidades culturais, guiadas pelo lema “faça o que você é”, uma variação do conhecido “faça você mesmo”. Assim, Chico Science permanece como um cientista dos ritmos que levou o mangue do Recife para o mundo.

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