João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
China limita importação de carne bovina e impacta exportações do Brasil
31 de dezembro de 2025 / 18:44
Foto: Divulgação

A China anunciou novas medidas que limitam a importação de carne bovina, com o objetivo de proteger seus produtores locais. A partir de 1º de janeiro de 2026, essas regras terão validade de três anos e podem afetar diretamente os países exportadores, especialmente o Brasil, maior fornecedor para o mercado chinês. Segundo o Ministério do Comércio da China, será estabelecida uma cota anual para empresas adquirirem carne bovina do exterior. Nesse limite, as importações serão taxadas em 12%, enquanto o excedente estará sujeito a uma sobretaxa de 55%. Para o ano de 2026, a cota foi fixada em 2,7 milhões de toneladas, número próximo ao recorde de 2,87 milhões comprado em 2024, porém inferior ao volume importado na maior parte de 2025.

O Brasil obteve a maior parte da cota para 2026, com 1,1 milhão de toneladas autorizadas, porém esse volume é menor que as exportações deste ano, que até novembro somaram 1,52 milhão de toneladas. Atualmente, a China é o principal destino da carne bovina brasileira, representando 48% do volume exportado e 49,9% do faturamento, equivalente a US$ 8,08 bilhões, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Os Estados Unidos ocupam a segunda posição, com 244,5 mil toneladas e uma receita de US$ 1,46 bilhão.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, minimizou os impactos dessas medidas, ressaltando que o Brasil já exporta volume próximo ao limite da cota e tem ampliado as vendas para novos mercados, como o Japão, que pode começar a importar carne brasileira em 2026. Mesmo assim, o governo brasileiro pretende negociar com a China, buscando até a transferência de cotas de outros países para o Brasil. Por outro lado, entidades do setor demonstram preocupação. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estima uma possível perda de até US$ 3 bilhões na receita em 2026 devido às restrições.

Em nota conjunta, Abiec e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmaram que ajustes em toda cadeia produtiva serão necessários para mitigar os impactos, que podem atingir desde a produção até a exportação, além de desestimular investimentos e afetar empregos e renda no campo. A decisão chinesa é resultado de uma investigação iniciada em 2024, que avaliou os efeitos das importações no mercado local. A China, maior importadora e segunda maior consumidora mundial de carne bovina, apontou que o crescimento das compras estrangeiras prejudicou a indústria doméstica, que enfrenta altos custos e baixa competitividade, motivando a adoção dessas cotas e tarifas.

Essa medida ocorre em um contexto mundial de escassez de carne bovina, que tem pressionado os preços internacionais, especialmente nos Estados Unidos.

Copyright © 2025. Direitos Reservados.