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China prevê uso popular da tecnologia interface cérebro-computador em cinco anos
9 de março de 2026 / 10:27
Foto: Divulgação

A China estima que a tecnologia de Interface Cérebro-Computador (BCI), que possibilita a comunicação direta entre o cérebro humano e dispositivos eletrônicos, esteja disponível para uso prático pela população entre três e cinco anos. Essa perspectiva foi apresentada por Yao Dezhong, diretor do Instituto de Ciências do Cérebro de Sichuan, durante as reuniões anuais do parlamento chinês em Pequim.

O governo chinês incluiu a tecnologia como uma indústria estratégica central em seu novo plano quinquenal, ao lado da inteligência artificial, redes 6G e pesquisa em fusão nuclear. Atualmente, a China é o segundo país mundial a realizar testes humanos invasivos da BCI, utilizando chips implantados diretamente no cérebro. O país conta com mais de dez testes clínicos ativos, número comparável ao dos Estados Unidos.

A meta para 2026 é recrutar mais de 50 pacientes para novos estudos envolvendo a interface cérebro-computador. Resultados preliminares demonstram que a tecnologia tem importante aplicação médica: pacientes com paralisia e amputados conseguiram recuperar parte da mobilidade, controlando mãos robóticas e cadeiras de rodas inteligentes apenas com sinais cerebrais. Além disso, o governo começou a incluir tratamentos baseados em BCI em programas de seguro médico estatal em algumas províncias piloto, visando ampliar o acesso à inovação.

De acordo com a consultoria CCID, o mercado chinês de interfaces cérebro-computador pode alcançar movimentação financeira de 5,58 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 809 milhões) até 2027. No âmbito internacional, a Neuralink, empresa fundada por Elon Musk, é referência no desenvolvimento de implantes cerebrais. Enquanto a companhia americana foca em chips implantados no tecido cerebral, pesquisadores chineses exploram diversos modelos tecnológicos, incluindo sistemas invasivos, não invasivos e semi-invasivos.

Especialistas ressaltam que os modelos semi-invasivos, posicionados na superfície do cérebro, apresentam menor risco cirúrgico, embora tenham qualidade de sinal inferior aos implantes profundos. As autoridades chinesas afirmam que o país avança rapidamente no setor e busca consolidar uma capacidade tecnológica própria para competir no desenvolvimento de soluções baseadas na leitura e interpretação dos sinais cerebrais. A expectativa é que o uso da interface cérebro-computador seja cada vez mais difundido, beneficiando múltiplas áreas da saúde e da tecnologia.

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