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China proíbe maçanetas retráteis em carros a partir de 2027 e impacta Brasil
18 de janeiro de 2026 / 15:37
Foto: Divulgação

A China anunciou que, a partir de 1º de janeiro de 2027, ficará proibida a comercialização de carros novos equipados exclusivamente com maçanetas retráteis, especialmente aquelas que funcionam apenas por acionamento elétrico. A decisão foi divulgada pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) e tem como objetivo central aumentar a segurança dos ocupantes dos veículos e facilitar o trabalho de equipes de resgate em situações de emergência.

Embora a medida seja válida, inicialmente, apenas para o mercado chinês, especialistas avaliam que a nova regulamentação deverá gerar efeitos indiretos em outros países, incluindo o Brasil, devido à crescente presença de montadoras chinesas e ao uso de plataformas globais na indústria automobilística.

As maçanetas retráteis tornaram-se uma tendência nos últimos anos, sobretudo em carros elétricos e híbridos, por contribuírem para um design mais limpo e futurista, além de melhorarem a eficiência aerodinâmica ao reduzir o arrasto do ar. No entanto, muitas dessas soluções modernas não possuem acionamento mecânico alternativo, dependendo exclusivamente de sistemas elétricos e eletrônicos.

Segundo o MIIT, essa característica representa um risco significativo em situações críticas, como colisões, incêndios, alagamentos ou falhas no sistema elétrico do veículo. Há registros, de acordo com o ministério, de acidentes com vítimas fatais nos quais socorristas e até os próprios ocupantes tiveram dificuldade ou foram incapazes de abrir as portas, justamente pela ausência de um mecanismo manual funcional.

Com a nova norma, todos os veículos com peso inferior a 3,5 toneladas — categoria que inclui carros de passeio, SUVs e utilitários leves — deverão contar obrigatoriamente com sistemas mecânicos de abertura das portas, tanto internos quanto externos. Esses mecanismos deverão funcionar mesmo em cenários extremos, como perda total de energia elétrica, descarga da bateria ou danos estruturais causados por acidentes. A regulamentação vale tanto para maçanetas retráteis quanto para aquelas 100% elétricas, sem qualquer acionamento manual.

Outro ponto importante da nova exigência diz respeito à ergonomia e à usabilidade. Os dispositivos de abertura das portas deverão ser claramente visíveis, sinalizados e intuitivos, evitando soluções de design excessivamente discretas ou confusas, que possam atrasar a evacuação dos ocupantes ou a atuação das equipes de resgate em situações de emergência.

No mercado brasileiro, apesar de a legislação chinesa não ter aplicação direta, o impacto tende a ser relevante. Isso porque muitas montadoras adotam projetos globais, desenvolvidos para atender simultaneamente a diferentes mercados. Produzir versões distintas de portas e maçanetas apenas para cumprir regras regionais pode se tornar tecnicamente complexo e financeiramente inviável, o que leva as fabricantes a padronizarem soluções mais seguras.

Atualmente, diversos veículos vendidos no Brasil já utilizam maçanetas retráteis, especialmente modelos de marcas chinesas como BYD, GWM, Geely, Omoda, Jaecoo e GAC, além de carros elétricos e híbridos de fabricantes tradicionais. Essa tecnologia também é bastante comum em veículos de luxo e esportivos, nos quais o design sofisticado e a aerodinâmica têm papel central no posicionamento do produto.

Diante desse cenário, a nova regulamentação chinesa deve influenciar diretamente o desenvolvimento das próximas gerações de veículos, inclusive os destinados ao Brasil. A tendência é que as montadoras busquem soluções híbridas, que conciliem design moderno e eficiência aerodinâmica com mecanismos mecânicos de segurança, garantindo acesso ao interior do veículo em qualquer circunstância.

Assim, a decisão da China reforça um movimento global de priorização da segurança veicular, mesmo que isso implique rever tendências estéticas recentes. Para o setor automobilístico brasileiro, a mudança pode representar adaptações tecnológicas, revisão de projetos e novos padrões de segurança, com reflexos diretos nos carros que chegarão às concessionárias nos próximos anos.

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