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Chuva em Petrolina faz açude transbordar e submergir figuras rupestres
12 de março de 2026 / 13:54
Foto: Divulgação

O alto volume de chuvas registrado em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, entre o final de fevereiro e o início de março, provocou mudanças significativas na paisagem de um importante ponto histórico localizado no distrito rural de Rajada. Após cerca de seis anos, o Açude das Pedras voltou a transbordar, submergindo rochas que abrigam figuras rupestres com mais de seis mil anos.

O fenômeno, conhecido como sangramento do açude, gerou entusiasmo entre moradores da região. Até janeiro deste ano, o nível de água estava baixo, deixando as gravuras completamente visíveis. Com o aumento das chuvas e o consequente enchimento do reservatório, as rochas foram novamente cobertas pela água.

Ciclo natural do açude

Segundo o professor Genivaldo Nascimento, pesquisador que estuda o local, as gravuras devem permanecer submersas por cerca de cinco a seis anos. Ele explica que o açude segue um ciclo natural de seis a oito anos, e o sangramento completo não ocorre todos os anos, pois depende de uma sequência de eventos hidrológicos.

Para que o reservatório transborde, é necessário que outras barragens da região também sangrem primeiro, liberando água que alimenta o sistema hídrico local. Esse processo exige períodos prolongados de chuvas intensas, condição que nem sempre ocorre no semiárido.

Reconhecimento científico das gravuras

O professor Genivaldo Nascimento foi um dos responsáveis por dar interpretação científica às figuras rupestres encontradas em Rajada. Graças às pesquisas realizadas na região, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou, em 2015, um mapeamento das gravuras em três sítios arqueológicos da área.

Antes disso, os moradores costumavam se referir às imagens apenas como “desenhos de índio”, sem que houvesse um reconhecimento formal de seu valor histórico. Após o envio de registros fotográficos para especialistas, entre eles o professor Juvandi Santos, da Universidade Estadual da Paraíba, foi confirmado que se tratava de arte rupestre, o que possibilitou sua divulgação no meio científico.

Desafios de preservação

Apesar da relevância arqueológica, o sítio enfrenta problemas de conservação, incluindo a ação de vândalos e a ausência de medidas estruturadas de proteção. Curiosamente, o professor Genivaldo acredita que o recente sangramento do açude pode ter proporcionado uma forma temporária de preservação natural, já que as gravuras permanecerão submersas por vários anos, dificultando o acesso direto às rochas.

Origem das gravuras

As rochas que exibem as figuras rupestres podem ter sido utilizadas como suporte artístico por povos antigos que, há milhares de anos, migraram do atual Piauí em direção ao Rio São Francisco.

De acordo com o pesquisador, compreender plenamente o significado dessas gravuras exige interpretação e construção de hipóteses, já que o contexto cultural original dessas populações se perdeu ao longo do tempo. Mesmo assim, o esforço físico necessário para esculpir as imagens indica que elas tinham grande importância simbólica ou ritualística para os povos que as produziram.

Valor geológico e histórico

As figuras foram esculpidas em rochas magmáticas muito antigas, com aproximadamente 650 milhões de anos, consideradas entre as mais antigas formações geológicas da região. A textura dessas rochas facilita a gravação das imagens e influencia a visibilidade dos desenhos, que pode variar conforme as condições climáticas e a temperatura ao longo do ano.

Além do valor cultural e arqueológico, o Açude das Pedras também possui importância geológica, pois suas formações rochosas ajudam a compreender processos antigos de transformação do planeta.

Dessa forma, o local reúne patrimônio natural, histórico e arqueológico, oferecendo pistas sobre a presença humana no Nordeste brasileiro há milhares de anos e sobre a própria evolução geológica da Terra.

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