
A cirurgia robótica tem transformado o tratamento do câncer de próstata no estado do Maranhão, trazendo mais precisão, menos complicações e uma recuperação significativamente mais rápida para os pacientes. Considerada um dos maiores avanços recentes da medicina, essa tecnologia vem ganhando espaço especialmente na área da uro-oncologia.
De acordo com o urologista e cirurgião robótico Sérgio Moura, professor da Universidade Federal do Maranhão, o método já se consolidou como referência na medicina moderna. Em São Luís, por exemplo, já foram realizados mais de mil procedimentos com o uso de robótica, a maioria voltada para doenças urológicas, como câncer de próstata, câncer de rim e tumores na bexiga.
Atualmente, o estado conta com duas plataformas robóticas ativas na rede privada, o que tem permitido a expansão gradual desse tipo de cirurgia. O procedimento é realizado por meio de pequenas incisões, nas quais são inseridos instrumentos controlados por braços robóticos. Esses equipamentos oferecem ao cirurgião uma visão tridimensional ampliada e movimentos extremamente precisos, eliminando tremores e aumentando o controle durante a operação.
Essa precisão traz benefícios diretos ao paciente: menor perda de sangue, menos dor no pós-operatório, redução do risco de complicações e um tempo de recuperação muito mais curto. Em muitos casos, os pacientes conseguem retomar suas atividades em poucos dias.
Comparada às técnicas anteriores, a evolução é evidente. A cirurgia aberta tradicional exigia cortes extensos, com maior tempo de internação e recuperação. A laparoscopia representou um avanço ao introduzir pequenas incisões, mas ainda utilizava instrumentos rígidos. Já a cirurgia robótica permite movimentos articulados muito mais refinados, favorecendo intervenções delicadas, como a preservação de nervos e vasos sanguíneos.
Esse aspecto é especialmente importante no tratamento do câncer de próstata, pois contribui para melhores resultados funcionais, reduzindo casos de incontinência urinária e preservando a função erétil — fatores que impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes.
Apesar da tecnologia avançada, o especialista destaca que o sucesso do procedimento depende principalmente da experiência do cirurgião. O robô, por si só, é uma ferramenta que potencializa a habilidade humana, mas não substitui o conhecimento técnico e a prática médica.
Outro ponto fundamental é o diagnóstico precoce, que ainda representa um desafio. A detecção antecipada aumenta significativamente as chances de cura. Recomenda-se que homens a partir dos 50 anos — ou a partir dos 45, em caso de histórico familiar — realizem acompanhamento urológico regular, incluindo exames como PSA e toque retal.
Um avanço recente importante foi a decisão do Sistema Único de Saúde de aprovar a inclusão da prostatectomia radical assistida por robô. Essa medida pode ampliar o acesso à tecnologia, que até então estava concentrada principalmente na rede privada.
Com o avanço das políticas públicas e a ampliação da oferta de equipamentos, a expectativa é de redução de custos e maior democratização do acesso à cirurgia robótica. Como ressalta o Dr. Moura, garantir o melhor tratamento disponível é uma questão de equidade e justiça social, devendo beneficiar todos os pacientes, independentemente do sistema de saúde.