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Com avanço do pré-sal, Nordeste perde espaço na produção nacional de petróleo
9 de fevereiro de 2026 / 09:54
Foto: Divulgação

A participação do Nordeste na produção de petróleo e gás natural do Brasil caiu para 4,7% em 2025, evidenciando um declínio gradual da importância regional na matriz energética do país. Esse cenário acompanha o fortalecimento do pré-sal offshore, que domina atualmente 79,5% da produção nacional. Os cinco estados produtores do Nordeste — Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas — mantiveram 268 campos ativos, com uma produção total de 145,19 mil barris equivalentes por dia, enquanto o Brasil alcançou 5,2 milhões de barris equivalentes diários, concentrados sobretudo na camada pré-sal marítima do Rio de Janeiro, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de dezembro de 2025.

A Bahia lidera a produção regional com 45.820 barris equivalentes diários, seguida pelo Maranhão com 39.429 barris. Juntos, esses dois estados representam 58,6% da extração de petróleo e gás do Nordeste. A estrutura produtiva da região está dividida em três eixos principais: a Bahia detém o maior volume combinado de petróleo e gás, o Maranhão destaca-se como maior produtor regional de gás natural, enquanto o Rio Grande do Norte é o segundo maior produtor de petróleo. Esses três estados concentram 143 campos em operação e produzem 118,9 mil barris equivalentes por dia. Todos os estados do Nordeste apresentaram retração na participação nacional entre 2021 e 2025.

No Brasil, a produção total de petróleo e gás em dezembro de 2025 foi de 5,2 milhões de barris equivalentes diários, divididos em três segmentos principais: pré-sal marítimo com 4,164 milhões de barris (79,5%), pós-sal marítimo com 825 mil barris (15,7%) e produção terrestre com 248 mil barris (4,7%). No Nordeste, a produção ocorre exclusivamente em ambiente terrestre, o que limita a região diante da preponderância do offshore no abastecimento nacional. A produção nordestina, que corresponde a 58,5% da extração terrestre do país, detém protagonismo no segmento onshore, embora a participação do petróleo e gás terrestre represente menos de 5% do total nacional.

A operação no Nordeste é marcada por campos maduros, com a Petrobras dominando a operação, além da participação de companhias menores como Petrorecôncavo (Bahia), 3R Petroleum e 3R Potiguar (Rio Grande do Norte), Origem Alagoas (Alagoas) e outros operadores regionais. Este modelo terrestre consegue se manter economicamente viável devido aos baixos custos operacionais, infraestrutura consolidada e uma cadeia de abastecimento regional estabelecida, apesar da queda na relevância nacional causada pela expansão acelerada do pré-sal offshore, especialmente na Bacia de Santos.

No detalhe dos estados, a Bahia finalizou o ano de 2025 com 19.854 barris diários de petróleo e 4,128 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, concentrados principalmente na Bacia do Recôncavo, que conta com 72 campos produtores. Entretanto, sua participação na produção nacional recuou de 0,77% para 0,55% no petróleo e de 4,06% para 2,17% no gás natural entre 2021 e 2025.

O Maranhão extraiu 6,247 milhões de metros cúbicos diários de gás natural e um total de 39.429 barris equivalentes por dia, com produção de petróleo limitada a 136 barris diários. A atuação ocorre na Bacia de Parnaíba, que possui sete campos produtores, incluindo os campos Gavião Preto, Gavião Branco, Gavião Real e Gavião Caboclo. A participação no mercado nacional de gás natural do estado diminuiu de 4,39% para 2,65% no período.

Já o Rio Grande do Norte produziu 27.967 barris diários de petróleo e 907 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, totalizando 33.678 barris equivalentes diários na Bacia Potiguar, com 58 campos produtores. A importância do estado na produção nacional de petróleo caiu de 1,15% para 0,83%. Destaca-se o campo Estreito, o mais denso em poços em produção na região, e o campo Canto do Amaro, que contribuiu com 5.000 barris equivalentes diários, representando 2,0% da produção terrestre do país.

Em Sergipe, foram produzidos 11.988 barris diários de petróleo e 73 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, totalizando 12.447 barris equivalentes por dia, distribuídos em 17 campos produtores. Sua participação no petróleo nacional teve leve aumento, de 0,27% para 0,34%. O campo Carmópolis, localizado no estado, é estratégico e entregou 8.000 barris diários, representando 3,2% da produção terrestre nacional e é o quinto maior campo onshore do Brasil segundo a ANP.

Alagoas registrou produção de 3.822 barris diários de petróleo e 1.588 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, perfazendo 13.811 barris equivalentes por dia, distribuídos em 11 campos produtores. A operadora Origem Alagoas é responsável pela maior parte da produção estadual, equivalente a 77%. A representatividade de Alagoas na produção nacional de petróleo permaneceu em 0,10% em 2025.

Por fim, os estados de Ceará, Paraíba e Pernambuco apresentam participação residual ou nula na produção nacional, com o Ceará registrando apenas 0,02% e os outros dois estados sem produção reportada em dezembro de 2025, indicando encerramento das atividades comerciais ou volumes abaixo dos limites de registro da ANP.

Assim, enquanto o Nordeste mantém liderança no segmento terrestre, a expansão do pré-sal offshore vem resultando em perda progressiva de espaço da região na produção nacional de petróleo e gás, refletindo mudanças estruturais importantes na indústria brasileira do setor.

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