
O dólar encerrou esta sexta-feira (13) no maior valor desde janeiro, fechando cotado a R$ 5,316, refletindo o aumento da aversão ao risco global em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Durante o dia, a moeda norte-americana chegou a atingir R$ 5,325 por volta das 16h45, registrando uma alta de 1,41%. Este movimento é consequência do agravamento das tensões envolvendo o Irã e os ataques conduzidos por Israel, que impulsionam a busca mundial por ativos considerados mais seguros, como o dólar.
As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometendo intensificar ações militares contra o Irã, ampliaram as preocupações com a possibilidade de um conflito duradouro e seus impactos sobre os preços da energia. No meio desta situação, o mercado cambial brasileiro apresentou o pior desempenho entre as principais moedas emergentes, com saída relevante de recursos e maior demanda por dólar, aproveitando a cotação ainda competitiva para investimentos.
O Banco Central brasileiro realizou uma intervenção no mercado pela manhã, com a operação conhecida como “casadão”, vendendo US$ 1 bilhão à vista e ofertando 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalente à compra de dólar futuro. Essa iniciativa aconteceu em um cenário de menor liquidez e pressão no cupom cambial, que representa a taxa de juros em dólar no país.
Além disso, o fortalecimento global do dólar foi evidenciado pela alta do Dollar Index (DXY), que superou a marca de 100 pontos pela primeira vez desde novembro de 2025, fechando próximo a 100,5 pontos e acumulando alta semanal superior a 1,6%. Analistas apontam que, além da busca por segurança, o movimento reflete mudanças nas expectativas da política monetária dos Estados Unidos, com menor probabilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve devido à alta do petróleo e às incertezas sobre a inflação.
No mercado de ações brasileiro, a aversão ao risco também se refletiu em queda do Ibovespa, que recuou 0,91%, encerrando aos 177.653 pontos, o menor nível desde 22 de janeiro. O índice chegou a operar acima de 178 mil pontos durante o dia, mas perdeu força na segunda metade do pregão. Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 0,95%, após uma queda de quase 5% na semana anterior, embora ainda registre valorização de 10,26% no ano. Em março, entretanto, o índice já apresenta baixa de 5,9%.
A tensão geopolítica também influenciou o aumento do preço do petróleo. O contrato do petróleo tipo Brent para maio avançou 2,67%, fechando a US$ 103,14 o barril, com ganho semanal de cerca de 11%. No acumulado de março, o preço do petróleo subiu mais de 40% e cerca de 70% no ano, refletindo o impacto das incertezas no Oriente Médio.
Esses movimentos no mercado financeiro mostram a forte influência dos conflitos internacionais sobre as cotações do dólar e dos ativos brasileiros, assim como a preocupação dos investidores diante das possíveis consequências econômicas das tensões no Irã.