
A corrente de comércio entre Brasil e China chegou a um patamar recorde em 2025, totalizando US$ 171 bilhões, conforme dados divulgados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Este valor representa um crescimento de 8,2% em comparação com 2024 e mais que o dobro do volume negociado entre Brasil e Estados Unidos no mesmo ano, que foi de US$ 83 bilhões. No montante total movimentado com a China, as exportações brasileiras somaram US$ 100 bilhões, o segundo maior valor da série histórica começada em 1997, ficando atrás apenas do recorde de US$ 104 bilhões registrado em 2023. O principal item exportado foi a soja, que correspondeu a pouco mais de um terço do total enviado ao país asiático, com aumento de 10% em relação ao ano anterior.
Este desempenho ocorreu em um contexto global de tensões comerciais. Em 2025, os Estados Unidos aumentaram tarifas sobre diversos países, afetando o comércio internacional e influenciando os fluxos de exportação. Assim, o Brasil observou uma queda nas vendas para o mercado americano, direcionando seus esforços para diversificar os destinos e concentrar-se mais no mercado asiático. As exportações brasileiras para os EUA diminuíram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, o que representa uma redução de 6,6%, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Cerca de 22% dessas exportações, cerca de US$ 8,9 bilhões, permanecem sujeitas às tarifas impostas no ano anterior.
Além do crescimento das exportações, as importações brasileiras de produtos chineses também alcançaram um recorde histórico. Em 2025, o Brasil importou US$ 70,9 bilhões da China, um aumento de 11,5% em relação a 2024. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela compra de um navio-plataforma para exploração de petróleo, assim como pela importação de veículos elétricos e híbridos, fertilizantes, produtos químicos e insumos farmacêuticos.
Com esse desempenho, a China passou a representar 27,2% da corrente de comércio exterior brasileira, que totalizou US$ 629 bilhões em 2025, um avanço de 4,9% na comparação anual. O país asiático manteve-se como o principal destino das exportações brasileiras, ainda que mercados como Argentina e Índia tenham apresentado crescimento percentual mais expressivo, com altas de 31,4% e 30,2%, respectivamente.
Especialistas destacam que, apesar do avanço nas relações comerciais com a China, a pauta exportadora brasileira para esse mercado ainda é concentrada em produtos agrícolas e da indústria extrativa. Já as exportações para os Estados Unidos são mais diversificadas, predominando bens da indústria de transformação. Dessa forma, o comércio entre Brasil e China reforça sua importância estratégica para o desenvolvimento econômico e a inserção do país no comércio global.