
A Transnordestina é uma das mais ambiciosas obras de infraestrutura em andamento no Brasil e carrega consigo a promessa de transformar profundamente a logística, a economia e a dinâmica social do Nordeste. Muito além de uma simples ferrovia voltada ao transporte de cargas, o projeto foi concebido como um eixo estruturante de desenvolvimento regional, conectando áreas produtoras estratégicas aos principais portos e centros consumidores da região. Ao integrar modais de transporte e reduzir gargalos históricos da logística nordestina, a Transnordestina se consolida como um vetor de competitividade e inclusão econômica.
Um dos elementos centrais desse projeto são os terminais logísticos que acompanham a ferrovia, responsáveis por potencializar seus benefícios. Nesse contexto, ganha destaque a inauguração do primeiro terminal privado da Transnordestina no Ceará, localizado no município de Iguatu. Segundo explica Eugério Queiroz, diretor responsável pelo empreendimento, o terminal foi planejado para atuar como um operador logístico completo, indo muito além da simples movimentação ferroviária. Ele oferecerá serviços integrados que incluem recepção e descarregamento de trens, gestão logística, transbordo para o transporte rodoviário, além do aluguel de áreas para armazenagem e operações comerciais.
Um aspecto particularmente inovador é a possibilidade de compra direta de produtos por pequenos comerciantes e produtores locais. Essa iniciativa democratiza o acesso a serviços logísticos antes restritos a grandes empresas, permitindo que pequenos negócios se integrem às cadeias de suprimento em condições mais competitivas. Com isso, o terminal não apenas fortalece o agronegócio regional, mas também impulsiona o comércio local e estimula o empreendedorismo.
Os impactos econômicos gerados pela operação do terminal logístico da Transnordestina são expressivos. Entre os principais benefícios está a redução do custo do frete, estimada em até 30%, o que representa uma economia significativa ao longo da cadeia produtiva. Na prática, isso pode significar uma redução de aproximadamente R$ 5,00 por saca de 60 kg, valor que influencia diretamente o preço final dos produtos para o consumidor. Além disso, o terminal terá um papel estratégico na regulação de estoques, ajudando a estabilizar preços regionais de produtos essenciais, como o milho, ao equilibrar oferta e demanda.
Outro impacto relevante diz respeito ao abastecimento energético. O Ceará, que atualmente depende do fornecimento de etanol proveniente de regiões distantes, como o Sudeste, poderá se beneficiar de um transporte mais eficiente e barato desse combustível. Isso tende a refletir em preços mais acessíveis ao consumidor final e maior segurança no abastecimento.
A ferrovia passa próxima ao Matopiba — região agrícola estratégica que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — o que amplia ainda mais sua importância logística. Essa proximidade facilita o escoamento de grãos, o transporte de fertilizantes, combustíveis e outros insumos essenciais à produção agrícola, tornando a região mais competitiva no cenário nacional e internacional.
O projeto da Transnordestina prevê, em sua fase inicial, a implantação de nove terminais intermodais e um porto seco, com polos logísticos estratégicos em Iguatu e Quixeramobim (CE), Salgueiro (PE) e no Porto do Pecém (CE). Cada terminal será planejado de acordo com as vocações econômicas locais, contribuindo para um desenvolvimento regional mais equilibrado e sustentável, evitando a concentração excessiva de atividades em poucos centros urbanos.
Para a população em geral, mesmo aqueles que não atuam diretamente no agronegócio ou no setor logístico, os benefícios também serão perceptíveis. A expectativa é de geração de empregos diretos e indiretos, fortalecimento das economias locais, redução do tráfego pesado nas rodovias — o que implica mais segurança viária e menor desgaste da infraestrutura — além de uma possível diminuição da pressão migratória sobre grandes cidades.
A inauguração do terminal logístico de Iguatu está prevista para maio de 2026. Inicialmente, ele dará suporte prioritário ao transporte de grãos, mas já existem planos concretos de expansão para atender outros segmentos, como minérios e combustíveis. Essa flexibilidade amplia o potencial de crescimento do terminal e reforça seu papel como um hub logístico estratégico para o Ceará e para o Nordeste.
Como resume o diretor Eugério Queiroz, a Transnordestina tem como objetivo promover uma transformação profunda na configuração econômica do município, da região e do estado do Ceará. Em síntese, a Transnordestina não é apenas uma ferrovia: trata-se de um projeto estruturante que busca impulsionar o desenvolvimento social e econômico por meio da integração eficiente de pessoas, mercadorias e oportunidades, inaugurando um novo capítulo de progresso, inclusão e competitividade para o Nordeste brasileiro.