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Como ‘O Agente Secreto’ recriou moda dos anos 1970 com quase 3 mil peças
13 de março de 2026 / 15:55
Foto: Divulgação

O filme “O Agente Secreto”, que está concorrendo em quatro categorias do Oscar, chama atenção pelo figurino que resgata a estética do Recife nos anos 1970. Para isso, a figurinista Rita Azevedo realizou uma pesquisa minuciosa em arquivos públicos e álbuns de família, garantindo a autenticidade visual da época. Em parceria com o diretor Kleber Mendonça Filho, com quem já havia trabalhado em três outros filmes, Rita investiu oito semanas na preparação do vestuário que compõe o cenário histórico do longa. Essa colaboração iniciou em 2015, com o filme “Aquarius”, e se repetiu em projetos subsequentes, consolidando uma sintonia entre os profissionais.

Parte das referências utilizadas veio de arquivos pessoais, como os álbuns da família de Rita, o que contribuiu para dar um toque ainda mais verdadeiro às roupas e às expressões corporais dos personagens. Notavelmente, a inspiração para o estilo do protagonista, vivido por Wagner Moura, surgiu do próprio pai da figurinista, que era engenheiro naquela época. Essa pesquisa não apenas influenciou as roupas, mas também ajudou no desenvolvimento dos trejeitos e posturas adotados pelo ator.

Para compor os trajes, a equipe considerou as distintas classes sociais, as idades e até o clima quente do Recife em 1977. Essa análise cuidadosa garantiu que a modelagem de camisas, calças e blusas refletisse a realidade social e cultural da época, com blusas abertas e shorts curtos, por exemplo. Um desafio especial foi o figurino dos cerca de 300 figurantes na cena do carnaval de rua, que exigiu quase três mil peças. Cerca de 70% dessas roupas foram alugadas de acervos especializados em figurinos de época, enquanto o restante foi confeccionado por costureiras locais, sempre baseando-se nas pesquisas detalhadas da equipe.

No set, costureiras estiveram presentes para realizar ajustes de última hora e garantir a qualidade e o realismo das roupas utilizadas pelas cerca de 50 personagens e centenas de figurantes. Um destaque entre as peças foi a blusa da Pitombeira, um bloco carnavalesco tradicional de Olinda, que se tornou icônica e até foi falsificada por camelôs, mostrando o impacto cultural que o figurino alcançou.

Rita Azevedo comemora o reconhecimento do trabalho desenvolvido para o filme e expressa entusiasmo aguardando o resultado do Oscar, acreditando que o esforço será coroado com a estatueta. Com essa cuidadosa reconstrução visual, “O Agente Secreto” não só revive a moda dos anos 1970, mas também celebra a riqueza cultural e histórica daquela época através do figurino cuidadosamente elaborado.

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