
Companhias aéreas internacionais estão elevando o preço das passagens em resposta ao aumento expressivo do custo do combustível de aviação, causado pela intensificação do conflito no Oriente Médio. Empresas como Qantas Airways, SAS e Air New Zealand anunciaram reajustes em suas tarifas na terça-feira (10), atribuídos à disparada do preço do petróleo decorrente da guerra e do bloqueio de rotas importantes para a exportação da commodity.
A Air New Zealand revelou que o valor do combustível, que costumava variar entre US$ 85 e US$ 90 por barril, passou a custar entre US$ 150 e US$ 200 após ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã. Diante da incerteza gerada pelo conflito, a companhia decidiu suspender suas projeções financeiras para 2026.
A SAS declarou ter implementado um “ajuste temporário de preços” para garantir a estabilidade operacional. A Air New Zealand detalhou aumentos nas tarifas econômicas de ida: 10 dólares neozelandeses em voos domésticos, 20 em rotas internacionais de curta distância e 90 em viagens longas.
Outras empresas também tomaram medidas semelhantes. A Hong Kong Airlines anunciou reajustes nas sobretaxas de combustível em até 35,2%, enquanto a Cathay Pacific acrescentou voos extras para cidades como Londres e Zurique para atender à demanda crescente e superar limitações de capacidade.
Por outro lado, algumas companhias como Lufthansa e Ryanair afirmam estar protegidas no curto prazo por contratos de hedge que ajudam a minimizar o impacto da alta do petróleo. Ainda assim, a Finnair alertou que, se o conflito se prolongar, não só os preços, mas também a disponibilidade de combustível poderão ser afetados.
Além do aumento do custo do querosene de aviação — que representa a segunda maior despesa do setor, superada apenas pela mão de obra —, as empresas enfrentam restrições no espaço aéreo. O fechamento ou limitação de rotas no Oriente Médio vem obrigando os aviões a realizar trajetos mais longos, elevando despesas e reduzindo a capacidade em determinadas rotas internacionais.
Esse cenário se soma às dificuldades resultantes da guerra na Ucrânia, que levou diversas companhias a evitarem o espaço aéreo russo, tornando as operações globais mais complexas devido à diminuição das rotas disponíveis.
Especialistas do setor indicam que, na hipótese de prolongamento do conflito, o aumento nos custos deverá pressionar ainda mais as tarifas aéreas e impactar a demanda por viagens internacionais.