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Concurso negro e negra Malê 2026 destaca cultura do bloco Malê Debalê
3 de fevereiro de 2026 / 14:39
Foto: Divulgação

Kennu Alves e Dandara Akotirene foram eleitos Negro e Negra Malê 2026 durante um concurso realizado no último domingo (1º), na sede do tradicional bloco afro Malê Debalê, no bairro de Itapuã, em Salvador. O evento reuniu a comunidade, militantes do movimento negro, artistas e admiradores da cultura afro-brasileira, consolidando-se como um dos momentos mais simbólicos da preparação para o Carnaval 2026.

Ao todo, oito candidatas e oito candidatos participaram da disputa, sendo avaliados a partir de critérios que vão muito além da estética. Elementos como expressão corporal, dança, postura cênica, consciência histórica, identidade, ancestralidade e corporeidade negra foram fundamentais para a escolha dos vencedores. Cada apresentação evidenciou valores como resistência, pertencimento, autoestima e orgulho da cultura negra, pilares que sustentam a trajetória do Malê Debalê desde sua fundação.

O concurso integra a programação oficial do Carnaval 2026 do bloco, que este ano traz como tema “Malê – Na Corte de Oxalá”. A proposta exalta a espiritualidade afro-brasileira, a ancestralidade africana e a ideia de realeza simbólica do povo negro, colocando Oxalá como referência de sabedoria, criação e equilíbrio. A temática dialoga diretamente com a filosofia do bloco, que transforma o desfile em um verdadeiro espetáculo de afirmação cultural, política e espiritual.

Fundado em 1979, no bairro de Itapuã, o Malê Debalê é reconhecido nacional e internacionalmente como o “maior balé afro do mundo”, título conquistado pela excelência artística, força estética e profundidade histórica de suas apresentações. Criado por moradores do bairro em um período de efervescência do movimento negro, o bloco surgiu como uma resposta cultural ao racismo estrutural, à exclusão social e à invisibilização da história afrodescendente.

O nome do bloco carrega forte simbolismo: “Malê” faz referência aos africanos muçulmanos escravizados que lideraram a Revolta dos Malês, em 1835, uma das mais importantes insurreições negras do Brasil, marcada pela luta organizada por liberdade e dignidade. Já “Debalê” significa “negros da felicidade” ou “negros felizes”, conceito que reafirma a celebração da vida, da cultura e da resistência como formas de enfrentamento às opressões históricas.

Mais do que um bloco carnavalesco, o Malê Debalê exerce um papel fundamental na formação cultural, política e social de gerações, promovendo educação antirracista, valorização da identidade negra e fortalecimento do protagonismo afro-baiano. Suas ações ultrapassam o Carnaval, impactando diretamente a comunidade de Itapuã e a cidade de Salvador como um todo.

Nesse contexto, o concurso Negro e Negra Malê assume uma função simbólica e transformadora ao exaltar a estética negra, fortalecer a autoestima e celebrar a história coletiva construída ao longo de mais de quatro décadas. A eleição de Kennu Alves e Dandara Akotirene para 2026 reafirma o compromisso do Malê Debalê com a valorização da ancestralidade, da arte e da resistência negra, mantendo viva a memória e a luta que fazem do bloco um dos maiores símbolos da cultura afro-brasileira.

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