
A confiança do consumidor brasileiro fechou dezembro no nível mais alto dos últimos 12 meses, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira, 22. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou avanço de 0,4 ponto e atingiu 90,2 pontos, o patamar mais elevado desde dezembro de 2024, quando marcou 91,3 pontos. Esse representa o quarto aumento consecutivo do índice, indicando uma tendência positiva na percepção dos consumidores.
Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela melhora nas expectativas para os próximos meses. O Índice de Expectativas (IE) subiu 1,4 ponto em dezembro, chegando a 95,2 pontos, também o maior valor desde o final do ano passado. Por outro lado, o Índice de Situação Atual (ISA), que avalia a percepção sobre o momento presente, recuou 1,4 ponto, ficando em 83,4 pontos, após duas altas consecutivas. Essa queda sugere que, apesar do otimismo futuro, as condições atuais ainda enfrentam desafios.
A economista Anna Carolina Gouveia, do FGV IBRE, destacou que o avanço da confiança foi mais expressivo entre os consumidores de menor renda. Ela explicou que, nos últimos meses, o ICC tem sido impulsionado principalmente pelas expectativas, enquanto os indicadores que medem a situação atual indicam uma realidade ainda difícil para as famílias brasileiras.
De acordo com Anna Carolina, o resultado demonstra um consumidor menos pessimista, respaldado pelo mercado de trabalho aquecido e pela recuperação do poder de compra. Entretanto, ela ressalta que o cenário permanece com limitações significativas, pois as restrições financeiras decorrentes dos altos níveis de endividamento e inadimplência continuam a pressionar o orçamento das famílias.
Assim, embora a confiança do consumidor esteja em alta, as condições econômicas enfrentadas indicam que o equilíbrio financeiro das famílias ainda carece de melhorias substanciais para consolidar uma recuperação mais robusta no consumo.