
O Ilê Aiyê divulgou as 15 finalistas que disputam o título de Deusa do Ébano 2026, durante a 45ª Noite da Beleza Negra. De um total de 120 inscritas, apenas 15 foram selecionadas para a etapa final do concurso, que elege a rainha do bloco para o Carnaval de Salvador. Além do talento na dança afro, um dos critérios essenciais para a escolha da Deusa do Ébano é o nível de consciência cidadã das participantes sobre o papel da mulher negra na sociedade.
O evento está marcado para o próximo sábado (17), na Senzala do Barro Preto, no Curuzu. A edição deste ano traz como tema “Turbantes e Cocares: O Encontro de Coroas”, ressaltando a beleza enquanto afirmação coletiva e ato político. A direção artística é de Ridson Reis e destaca turbantes e cocares como símbolos de resistência e herança dos povos negro e indígena.
As candidatas representam diversas regiões e trajetórias, trazendo histórias que revelam a pluralidade e a força feminina negra. Entre elas estão Bruna Christine Francisco dos Santos, roteirista e doutoranda em Artes da Cena; Camila Cruz Silva, trancista e professora; e Carline Xavier de Almeida, estudante de Jornalismo. Cada uma expressa, em suas palavras, o desejo de ser a Deusa do Ébano, enfatizando desde a autoestima soberana até o compromisso com a comunidade e a valorização da ancestralidade.
Além das carreiras e experiências diversas, as finalistas também destacam o significado político e cultural de sua participação. Dandara Namíbia Jesus de Andrade, modelo e bailarina, ressalta a importância de ser uma travesti preta viva como um ato político significativo. Já Nayara Amanda Guimarães Temporal Costa realça que já se considera uma Deusa do Ébano, reforçando a identidade e a força da mulher negra.
Com idades entre 20 e 35 anos, as candidatas vêm de bairros variados de Salvador e de outras regiões da Bahia, como Rio de Janeiro e Lauro de Freitas. O concurso não apenas seleciona uma rainha, mas também reafirma a identidade negra e a luta por respeito, visibilidade e empoderamento cultural e social. A vencedora terá o desafio de representar o Ilê Aiyê e se apresentar ao lado da Band’Aiyê no Carnaval, simbolizando a beleza negra como resistência e expressão cultural.